Do disco que leva o mesmo nome da banda, "Legião Urbana", Baader-Meinhof Blues é a oitava faixa e é uma das quais fala da violência e expõe muito o lado social e a opinião do próprio Renato à respeito da Sociedade.
Para sabermos melhor, Baader-Meinhof Gang ou Facção Exército Vermelho foi uma organização revolucionária alemã de esquerda fundada em 1970, justamente por isso, a música leva o nome.


A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.

Essa parte da música mostra a monotonia do dia-a-dia da sociedade.
Essa parte, lida com a violência como se fosse algo normal. Lida com ela, como se ela fosse algo de sempre e ele, diz que a terceira pessoa sempre passa pela noite e observa os apartamentos acesos, creio que aqui se refere também à vontade de saber do outro, ela observa por curiosidade, pra saber como eles, os que tem apartamentos acesos, agem ou pensam.

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.

Ele diz que anda nas ruas, e pensa estar sendo vítima de atenção, mas sente que isso pode ser engano.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.

Aqui o Renato pode tanto se referir à sentimentos dele, personagem, para uma terceira pessoa, quanto também pelo conhecimento - Ele se sente vazio, talvez, não tenha cultura e não sente que o conhecimento lhe é passado. Fala aqui, das frases que todos estamos cansados de ouvir "Amar ao próximo" todos sabemos que é importante, mas todos sabemos que não fazem efeito, e ainda diz, que amar ao próximo é demodé, ultrapassado. Não o ato de amar, mas o ato da frase.

Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?

Aqui, ele é direto ao governo. Ele diz que a justiça é desafinada, diz que ela é humana (voltada aos homens) porém errada. Diz que eles também assistem televisão e pergunta qual seria a diferença. Creio que a pergunta, venha a existir, para passar a mensagem da influência da mídia na vida das pessoas.

Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado é independente.

Pede para que não estatizem os sentimentos dele, que não façam seus sentimentos virarem algo do Governo, possivelmente. E diz, que pro "governo" das pessoas, o "estado" dele é independente - o "governo" refere-se à "pra tua informação..." e o "estado" refere-se ao que ele sente.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.



(Coloquei o vídeo do Acústico MTV, onde eles também cantam a música)
Analisado e escrito por: Eduardo Rezende


12 comentários to "Interpretação: Baader-Meinhof Blues"

  • "Essa justiça desafinada, é tão humana e tão errada..."
    Nesse ponto, acredito eu que o Renato refere-se aos tão falados "direitos humanos". A velha história de que os "direitos humanos" só competem aos criminosos, mas nunca às vítimas, tornando assim a justiça, que o governo diz ser humana, completamente "tão errada". E nós sabemos disso, pois nós não somos tão ignorantes quanto eles pensam, nós assistimos televisão também!
    E, só por força do hábito, adoro o trocadilho de palavras: "estatize", "governo", "estado".
    Deveriam haver mais pessoas para ver o que você escreve, Eduardo.

  • É muito interessante ver o que o Renato diz nessa letra. É uma das quais devemos sempre prestar atenção, ainda mais quando ele diz sobre o "amar ao próximo" e rever os conceitos.

  • Sempre imaginei a parte:
    "Já estou cheio de me sentir vazio
    Meu corpo é quente e estou sentindo frio
    Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
    Afinal, amar o próximo é tão demodé."

    como ele dizendo que sente falta de algo, do conhecimento (concordando com você) e que se sente diferente por isso, já que seu corpo é quente e ele está sentindo frio. Só que as pessoas veem e sabem, mas fingem não saber e não se importam. Então Renato explica ironicamente a razão disso, falando que "amar ao próximo" está ultrapassado, ou seja, as pessoas se esqueceram desse conceito tão importante.

  • Eu só acho que na parte "Andando nas ruas pensei que podia ouvir, alguém me chamando dizendo meu nome" ele não quis dizer que estava tendo a impressão de estar sendo vítima de atenção. Acho que está parte está vinculada com a frase "Você passa dia e o noite e sempre vê apartamentos acesos" Ele anda nas ruas e sente a necessidade de ter a voz popular, ele percebe que as ruas estão vazias, e as pessoas estão cada vez mais trancadas em casa assistindo televisão (por isso apartamentos acesos) em vez de estar vendo a verdadeira realidade, que na música seria fora de casa, ou seja, na rua.

  • Só um detalhe. O Baader Meinhoff era um grupo terrorista de extrema esquerda que colocava bombas e praticava assassinatos. O mínimo que posso pensar é que o autor da letra incensava estes atos, já que colocou o nome do grupo terrorista no título.
    Ou seja, a música é legal, mas, com certeza, a ode ao grupo é coisa de quem nunca viu uma guerra ao vivo, coisa de gente meio esquerda Jack Daniels, fala muito, mas adora um uísque 12 anos, não é integrante dos oprimidos de verdade, é só um falador.

  • Gostei muito do blog.
    Para mim quando ele fala"afinal amar o próximo é tão demoder"
    Ele se refere de como é demoder, ou seja para sociedade em si. É algo que se sabe na teoria, mas ninguém quer saber ou se importa. Estou muito cansada da falta de solidariedade das pessoas. Abraços. Amei o blog! Parabéns

  • Ajudou bastante a compreender a música que não sai da minha cabeça rs!
    Antes de postar as coisas pesquiso muito.
    Beijos ;*

  • Adorei o blog e interpretações diferentes devem ser vistas como uma riqueza de valores e conceitos. parabéns a todos. viva Renato russo

  • Amar ao próximo é tão démodé é um lamento do poeta ao abandono de valores morais. É o seguinte uso do démodé (fora de moda) mostra o efeito manada dos modismos - que sempre incomodou os mais esclarecidos rowueiros

  • Particularmente eu encarava esse trecho

    Não estatize meus sentimentos
    Pra seu governo,
    O meu estado é independente.

    Como uma forma de violência do Estado para com o indivíduo. A partir do momento que o Estado passa a atribuir valores aos individuos a partir de sua orientação sexual ou até mesmo de acordo com seu modelo familiar, ele limita a pluralidade do indivíduo. Tudo fica homogêneo, pasteurizado. Seria uma violência contra a liberdade.

  • Cara ele tinha horror a violência.

  • Concordo com sua interpretação mas acho que ele se referia à sociedade como un todo e a cada um de nós, afinal, é normal que criemos padrões de comportamento

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