Vinda da primeira coletânea da Legião Urbana, lançada em 1992, sendo a terceira faixa de "Música Para Acampamentos", uma das canções mais irônicas da Legião Urbana, se não a mais, é "A Canção do Senhor da Guerra", onde mostra-se muito o lado da guerra, dos pensamentos desta e das causas, é a única música que foi lançada no disco com sua versão de estúdio, e tem sua versão eletrônica, que jamais foi aprovada pela banda. 

Existe alguém
Esperando por você
Que vai comprar
A sua juventude
E convencê-lo a vencer...


Essa trecho nos lembra muito a preparação ao exercito, lembrando que a música fala sobre isso. Existe "alguém" que vai comprar a juventude das pessoas e convence-las à vencer. Ou seja, um alguém, general, presidente, alguém acima de todos, que transformará os jovens em adultos, tirando-lhes a juventude - comprando-lhes a juventude, tirando a "irresponsabilidade" jovem, e transformando a juventude em algo responsável, afinal, a guerra tem que ter-se noção dos atos. Eles querem vitória nessa disputa. Querem sair vitoriosos.

Mais uma guerra sem razão
Já são tantas as crianças
Com armas na mão
Mas explicam novamente
Que a guerra gera empregos
Aumenta a produção...


Essa é apenas "mais uma guerra sem razão" ou seja, não há motivos para ocorrer. Esse trecho nos mostra uma certa ironia com os soldados ou preparados ao exército, mostrando "crianças" como algo inocente e domável, ou então no sentido de crianças mesmo já se preparando, querendo seguir esse caminho. Essa parte, é importante para crer o ponto que Renato (o compositor) quis chegar: "Mas explicam novamente que a guerra gera empregos, aumenta a produção...", ou seja, eles continuam explicando, insistindo nas respostas, que a guerra trás empregos (o que é verdade) e aumenta a produção, uma vez que tudo irá acabar aos que se afetam. Mas nao podemos esquecer, que um dia a guerra acaba, então tudo volta como antes.

Uma guerra sempre avança
A tecnologia
Mesmo sendo guerra santa
Quente, morna ou fria
Prá que exportar comida?
Se as armas dão mais lucros
Na exportação...


Um guerra sempre avança a tecnologia, o que é verdade, afinal, para ter-se guerra, necessita ter-se armas - preparo, e isso vem muitas vezes da tecnologia avançada. Renato menciona as guerras "santa", "quente", "morna" e "fria" como sendo uma das usuárias dessa tecnologia ("mesmo sendo...") ou seja, mesmo uma guerra fria, acaba usando tecnologia, o que é verdade, afinal, na guerra fria não houve combate físico, porém os países envolvidos eram de grande avanço tecnológico e arsenal de armas nucleares. Também acaba nos mostrando uma certa parte dos "bastidores da guerra" o que nada mais é do que blefes. Afinal, a guerra é a própria mentira. 

Nessa estrofe podemos observar também como o mundo se volta para a guerra "Pra quê exportar comida? Se as armas dão mais lucros na exportação", e isso é verdade, afinal, numa guerra não se lucra vendendo alimentos, lucra-se vendendo armas. Afinal, os soldados viram robôs, e robôs não comem, obedecem.

Existe alguém
Que está contando com você
Prá lutar em seu lugar
Já que nessa guerra
Não é ele quem vai morrer...


Essa parte nos mostra muito essa parte de obediência. O Senhor da Guerra quer uma sociedade leal, e quer servos, soldados, que o sirvam e o obedeçam. Ele quer que lute por ele, afinal, ele não lutará para morrer...

E quando longe de casa
Ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando
Novos jogos de guerra...


Quando longe de casa, feridos e com frio, esperando o inimigo, o soldados ficam, o Senhor da Guerra estará com "outros velhos" (outras pessoas) inventando novos jogos de guerra, ou seja, outras estratégias de guerra.

Que belíssimas cenas
De destruição
Não teremos mais problemas
Com a superpopulação...


Essa parte é bem irônica. Fala como se fosse o Senhor da Guerra, afinal, ele gosta de ver guerra, destruição. E é dito como se fosse algo bonito. Fala da superpopulação, que com a guerra, não haverá mais esse problema, o que é verdade, afinal, uma bomba mata centenas e centenas de pessoas.

Veja que uniforme lindo
Fizemos prá você
Lembre-se sempre
Que Deus está
Do lado de quem vai vencer...


Aqui vemos a ironia de Renato novamente. O que há de lindo em uma farda, uma vez que ela simboliza a guerra? Fala-se de Deus estar do lado de quem vai vencer, pra mostrar muito isso, de crer em Deus e mostrar que a vitória foi dada por ele, porém Deus não quer guerras...

O senhor da guerra
Não gosta de crianças...(6x)


Essa parte nos dá novamente a ironia. Fala de crianças. Mas o que o Senhor da Guerra tem com crianças? Simples! Ele não transforma jovens? Não modifica jovens para adultos? Ele faz isso porque quer responsabilidade dos adultos, para os jovens, e não a inocência e paz de crianças, para seu futuro exército.


Interpretado, analisado e escrito por: Eduardo Rezende




1º de Julho é uma das canções que foram regravadas por outros artistas do nosso saudoso Rock Nacional. Renato Russo fez a música especialmente para Cassia Eller, que estava grávida de seu filho com o baixista Tavinho Filho (que morreu meses antes do nascimento do filho), que regravou a música que fez muito sucesso com sua voz. A música fala da maternidade, do amor materno, dos sentimentos:


Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber


Podemos observar nessa primeira estrofe o relacionamento do eu-lírico (a grávida) com o parceiro (ou parceira. Falarei parceiro pelo fato do menino - Francisco - Ter tido um pai, e não uma barriga de aluguel etc.). Vemos que o relacionamento é justo e equilibrado, tendo ambos terem aprendido e ambos terem ensinado.
"Nos teus braços que ele vai saber", ele o bebê, a nova vida. Ele vai saber o que foi passado, o que foi aprendido. Podemos pensar que foram ensinamentos de uma companheira para um companheiro, para este, cuidar ou ensinar o filho.


Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti


Depois do ato, "não há por que voltar", afinal, ja foi feito. Não tem como voltar ao passado e pular essa etapa. Então, podemos ver a insensatez. Ele aprendeu com ela a ser insensato. Aprendeu pelo olhar ou por palavras dela, à agir sem pensar, sem ter noção dos atos.

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes


Aqui podemos observar que há motivos de ira, de raiva. Ela não pensa em se vingar, porem, há motivos. Mas ele aprendeu a ser sensata. "Não sou assim" - "Não ajo por vingança". 
"A tua insegurança era por mim" - Vemos que ele era inseguro ao ato da gravidez, afinal, ela percebe que a insegurança dele (pai) era por culpa dela. Ele tinha medo de algo (o que é normal numa gravidez). Fala-se do amor e do compromisso que ambos assumirão. "Não basta o compromisso", não basta ter-se o título, vale o "coração", o sentimento.

O que sabes fazer agora

Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim

Aqui, observamos o aprendizado. As mães geralmente são as que cuidam dos filhos, isso nos acompanha desde tempos na história. O que ele sabe fazer agora (afinal, é a mulher - ela - quem fala), foi tudo o que foi dito por ela, em horas, ou seja, em grandes conversas.

Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então


Eles tinham um relacionamento, porém a sociedade não sabia. Ninguém sabia deles, ninguém os viu juntos, apesar de estarem um ao lado do outro.

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor


O refrão nos dá essa impressão do temperamento feminino. Ela é "fera, é bicho" - bruta, brava, é "anjo, é mulher" - doce, bela, é "mãe e filha", ou seja, ela manda nela, e ela mesma se obedece. É sua própria líder. É sua própria irmã, ou seja, é sua própria companheira, sua própria menina. Reforça o pensamento dela pertencer à ela mesma e não dos outros. Diz: "Sou Deus", tenho poder, "sua Deusa", ou seja, um Deus feminino. Podemos pensar também nisso, sendo comparado ao lado "criacionista" onde ela, dará, trará à vida uma nova pessoa.

Alguma coisa aconteceu
Do ventre nasce um novo coração


Essa talvez seja uma das mais belas frases de Renato Russo. "Do Ventre nasce um novo coração", do ventre, da mulher, nasce uma nova vida, um novo sentimento.

Não penso em me vingar (nã nã nã não)
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso
Vale mais o coração
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava ao teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua deusa, meu amor

Baby, baby, baby, baby
Yeah!

Aqui, repete-se novamente, o sentimento que ela, como mãe, como filha, como parte de uma energia, como uma companheira, sente.

O que fazes por sonhar / É o mundo que virá, pra ti.. para mim...

Aqui temos outra linda frase. "O que fazes por sonhar" - O que sonhas, "é o mundo que virá, para ti.. para mim..." Ou seja, ele sonha do mundo que virá aos dois. Não somente um mundo de perigos, riscos, aventuras e coisas novas, mas também um mundo de outra pessoa, uma vez que nós mesmos criamos mundos.

Vamos descobrir o mundo juntos, baby / Quero aprender com o teu pequeno grande coração
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Essa música nos dá muito esse sentimento de maternidade, esse sentimento de amor ao próximo que virá.No Acústico de Cássia Eller, ela canta "1º de Julho" e quando acaba, ela diz: "Meu Chicão"
Aqui, podemos ver que ainda há muito o que aprender: "quero aprender com teu pequeno grande coração" ou seja, ela quer aprender muito com esse coração de grande sentimentos.
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Essa música nos dá muito esse sentimento de maternidade, esse sentimento de amor ao próximo que virá.No Acústico de Cássia Eller, ela canta "1º de Julho" e quando acaba, ela diz: "Eu te amo Chicão".A música está no disco: A Tempestade da Legião Urbana. Foi gravado quando Renato fazia seu disco solo.


(coloquei o vídeo da Cassia Eller cantando, porque a música foi feita à ela, porém, a letra é do Renato Russo, junto à Legião Urbana).


Postado, escrito e analisado por: Eduardo Rezende





"Esta é a música mais política de todas no disco. Fala de tortura e é sobre aquela época em que fazíamos redação sobre o país maravilhoso que o Brasil seria no futuro, e em que achávamos que os presidentes eram o maior barato". - Renato Russo, 1990.


Uma das mais belas canções da banda "Legião Urbana" talvez seja "1965 (Duas Tribos)", onde o tema tratado é a Ditadura Militar. A música fala inteiramente do pensamento da época, das ideias futuristas e do modo de vida da sociedade e do governo. O ano de 1965 foi o ano em que o Presidente Castello Branco decreta o AI-2 (Ato Institucional Número Dois): estabelecimento de eleições indiretas e cassação dos partidos políticos são suas principais medidas. 

Vou passar
Quero ver
Volta aqui
Vem você
Como foi
Nem sentiu
Se era falso
Ou fevereiro


Aqui, podemos ver a indecisão, podemos ver as indagações, o que o governo fazia. Deixar tudo no ar, sem resposta direta. Nos da esse modo de confusão. Não se sabe como ocorreu, se era algo falso, verdadeiro. Algo real ou enganoso. O que é real ou não?


Temos paz
Temos tempo
Chegou a hora
E agora é aqui.
Cortaram meus braços
Cortaram minhas mãos
Cortaram minhas pernas
Num dia de verão
Num dia de verão


A nação, o local, tem paz, tem tempo, porém, chegou a hora (da mudança) e agora (a mudança) é aqui, na nação. Podemos observar nessa estrofe traços da Ditadura Militar, traços de tortura: "Cortaram meus braços/ Cortaram minhas mãos/Cortaram minhas pernas". Analisando isso, podemos nos preparar para o que segue-se. 


Num dia de verão
Podia ser meu pai
Podia ser meu irmão


O "Podia ser meu pai/Podia ser meu irmão" Isso refere-se à tortura, propriamente dita, onde quando não obtinham respostas diretas, apelavam aos parentes das vítimas, amigos próximos, etc., onde até obter-se a resposta, não parava-se a tortura, chegando muitas vezes, à morte.

Não se esqueça
Temos sorte
E agora é aqui


Agora é aqui. O que é aqui? Isso é um aviso, talvez uma crítica, referindo-se que agora, o lugar de "ter-se paz" virou um lugar diferente. Agora é "aqui" nesse lugar. Esse lugar mudou, e tornou-se algo diferente (reforça-se que eles tem sorte! - Ajuda)

Quando querem transformar
Dignidade em doença
Quando querem transformar
Inteligência em traição
Quando querem transformar
Estupidez em recompensa


"Quando querem transformar", pode ser interpretado diretamente como "Querem transformar".
"Querem transformar" dignidade em doença. Transformar o digno, o bom, em algo ruim, uma doença, assim como "querem transformar" inteligência em traição, mostrando que estão tornando a inteligência traidora, mostrando que essa traição (podemos lembrar os que traíam a confiança dos outros "dedurando" o que ocorria aos militares). "Querem transformar" a estupidez em recompensa, mostrado as pessoas fracas, que vendiam seus segredos em troca de recompensa do governo.

Quando querem transformar

Esperança em maldição:
É o bem contra o mal
E você de que lado está?
Estou do lado do bem
E você de que lado está?
Estou do lado do bem.
Com a luz e com os anjos


Digamos: "Há quem queira transformar", esperança em maldição. Mostrando a esperança de uma nação (antigamente "de paz"), tornando-se maldição, algo ruim. A esperança sendo destruída, e deixando de se tornar boa. Pergunta-se o lado da pessoa. Todos estão do "lado do bem", mas qual lado é o "bem"? O Governo que nos mantém calados ou os revoltados? São nada mais do que pontos de vista.


Mataram um menino
Tinha arma de verdade
Tinha arma nenhuma
Tinha arma de brinquedo


Mataram o menino. Mostrando a crueldade. O menino queria se defender... Ele tinha uma arma de verdade, o que para muitos não seria nenhuma, não teria valor, afinal, era uma arma de brinquedo. Tinha valor e realidade para o menino.


Eu tenho autorama
Eu tenho Hanna-Barbera
Eu tenho pêra, uva e maçã
Eu tenho Guanabara
E modelos revell


Aqui pode ser um diálogo, ou então até uma forma de se dizer que ele (eu-lírico) tem os objetos. Ele tem todas essas coisas (coisas de criança) que custavam caro, como o autorama. Isso mostra a infância do menino, mostra também, diferenças sociais (pelo preço dos objetos na época), porém, acho que foi retratado para dar o ar ao menino, a infância, seu modo de vida.


O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país do futuro
O Brasil é o país
Em toda e qualquer situação
Eu quero tudo pra cima
Pra cima
Pra cima


"'O Brasil é o pais do futuro' dizem os ecos. É um país que será do futuro, e não do presente (como dito na música). É um país que crescerá."
Além de mostrar a situação do país, podemos observar, que mesmo com toda a situação em que se encontram,  numa sociedade sem esperança, ele (eu-lírico) quer "tudo pra cima", ou seja, quer tudo de novo, feliz, revirado. Quer a esperança que foi perdida.






Postado e escrito por: Eduardo Rezende


Legião Urbana foi uma banda brasileira de rock surgida em Brasília ativa entre 1982 e 1996. Ao todo, lançaram dezesseis álbuns, somando mais de 20 milhões de discos vendidos. Ainda hoje, é o terceiro grupo musical da gravadora EMI que mais vende discos de catálogo em todo o mundo, com uma média de 250 mil cópias por ano. O fim do grupo foi marcado pelo falecimento de seu líder e vocalista, Renato Russo, em 11 de outubro de 1996. A banda é uma das recordistas de vendas de discos no Brasil incluído premiações da ABPD com dois Discos de Diamante pelos álbuns Que País É Este de 1987 e Acústico MTV de 1999. A banda faz parte do chamado quarteto sagrado do rock brasileiro, juntamente com o Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso


(Em breve, postagens da banda, escritas e analisadas por Eduardo Rezende e analisadas por Ana Flávia Scavazzani e Letícia Mendes)