A música de maior sucesso da Legião Urbana, apresentada logo no inicio de carreira, conhecida como o hino de uma geração de fãs:
"Geração Coca-Cola" é crítica, e conhecida por sua ironia e estrutura simples feita para marcar não somente o governo, mas a geração jovem do momento, o capitalismo, as compras e tudo o que gira em torno disso. Não se tem muito o que dizer, pois ela é bem exposta e tem uma estrutura realmente simples, mas fiz uma interpretação leve com o que penso e sinto dela. Segue-se a letra e interpretação:


Quando nascemos fomos programados
A receber o que vocês
Nos empurraram com os enlatados
Dos U.S.A., de nove as seis.

Nos primeiros versos, podemos ver a presença do capitalismo e da compra.
Renato, em outras palavras, mostra que a geração vinda, é algo programado , algo que em outras palavras, poderia ser influenciável, robótico.
Renato, mostra como é fácil, "recebermos" os produtos de fora, principalmente dos U.S.A, que é a potência econômica e um dos países que mais influenciam o mundo.

Desde pequenos nós comemos lixo
Comercial e industrial
Mas agora chegou nossa vez
Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês

Renato aqui, mostra a revolta jovem:
Eles sempre se abasteceram dessas coisas exteriores, considerada por ele como lixo.
Quantas vezes, preferimos a música, a comida, roupa, bebida (coca-cola, propriamente dito), e os próprios hábitos estrangeiros?

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola

Aqui, mostra que somos o fruto da revolução, que somos a causa de todos os atos passados.
Que somos burgueses sem religião, o que é um burgues sem religião? Um Burguês era uma classe social alimentada na nobreza, que por sua vez, vivia pela e para a Igreja, que era em outras palavras, a Religião.

Depois de 20 anos na escola
Não é difícil aprender
Todas as manhas do seu jogo sujo
Não é assim que tem que ser

Aqui, creio que Renato se refere não só ao governo, mas também as estratégias de marketing, mostrando que com o tempo e crescimento, podemos observar facilmente as manhas de jogo que eles usam.

Vamos fazer nosso dever de casa
E aí então vocês vão ver
Suas crianças derrubando reis
Fazer comédia no cinema com as suas leis

Aqui, creio que é uma parte meio irônica:
As "crianças" com seus deveres, crescem, e se rebelam contra o governo, contra tudo, que foi o que aconteceu e muito na época do sucesso "Geração Coca-Cola".
Aqui, mostra que eles gozariam de tudo o que foi feito, fazendo comédia no cinema, com as leis impostas.

Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola
Geração Coca-Cola


E Então paramos:
O que é Geração "Coca-Cola"?
A música, fala sobre a influência dos E.U.A, o que acontece, é que a Coca-Cola é uma das maiores empresas do mundo, e como uma forma de Renato tachar a geração de jovens do momento, ele escolheu a Coca-Cola pra mostrar que somos pura cópia desses produtos. Que somos nada mais, do que feitos programados, de comerciais industriais.
Geração Coca-Cola, é a geração da valorização do que é de fora, e não do que é daqui.

Analise e interpretação: Eduardo Rezende



21 comentários to "Interpretação: Geração Coca-Cola"

  • Então, Edu, eu até concordo com você, mas acho que, dessa vez, você não soube se expressar tão bem. Como eu já publiquei no meu blog, a tal "Geração Coca-Cola" era um tanto repugnante.

    Os anos 80 foram degradação dos anos 70. Se Raul Seixas dizia que tínhamos "a velocidade da luz pra alcançar", Renato dizia que "desde pequenos nós comemos lixo...". Esse lixo (como tu bem dissestes) era esse tal capitalismo estadunidense que nos foi empurrado goela abaixo na ditadura militar E, por questões de vingança, agora a moda era jogar todo esse lixo em cima do Brasil. Se foram os brasileiros que impuseram o capitalismo, eles que aguentem suas consequências.

    Acho que é mais ou menos isso. Tenho muito pra falar dessa música. Nem tudo cabe aqui.

  • Este comentário foi removido pelo autor.
  • Acabei demorando pra postar. rs. Eu acho que essa musica é algo muito universal, a moral dela é isso: CAPITALISMO e fruto dele. Quantas vezes, nós não nos deparamos com gente que usa camiseta com a estampa "azul-branca-vermelha" e não tem se quer, a noção de se cantar o hino nacional, ou porque não sabe a letra, ou porque tem vergonha da Pátria Mãe?

  • Eu acho que essa música faz muita referencia a Rousseau, se for analizado algumas obras de Rousseau pode-se notar isso, da mesma forma que pode ligar a música aos tempos de revolução como na revolução francesa...

  • Essa música fala muito bem sobre a ditadura militar, o bom disso tudo é que muito jovens de hoje em dia que não viveu aquela época pode aprender com vários trechos dessa música !!!

  • Não só com esses, caro Anônimo, mas com tantos outros belos trechos deixados pelo nosso líder da Geração Coca-Cola, Renato Russo. Volte sempre!!

  • Texto muito bom, me esclareceu muitas dúvidas e me ajudou muito! Obrigada!

  • Imagine, seja sempre bem vinda, muito obrigado!!

  • Muito bem descrito tudo sobre a ditadura e a revolta do Renato, um pequeno detalhe é na parte: Vamos fazer nosso dever de casa
    E aí então vocês vão ver
    Suas crianças derrubando reis
    Fazer comédia no cinema com as suas leis.

    Seria uma previsão do Renato, pois hj em dia muito se vê como os jovens (com o mínimo de intelecto) conseguem ler as manobras políticas e tudo que isso envolve, além da questão da comédia que é um dos assuntos mais abordados no stand-up e filmes nacionais. Oque acham de renato dando um recado do que aconteceria no futuro (isso a uns 30 ou 40 anos atrás) como acho que fez Cazuza ao dizer "Eu vejo um museu de grandes novidades" em O tempo não para' sendo exatamente oq vejo hj o quanto um produto comprado hj amh já está ultrapassado.

    Abraço novamente, bela análise e eternos parabéns pelo trabalho.

    Toni. (que comentou Metal contra as nuvens, lembra ? rs)

  • Olá novamente Toni, sugiro à você participar com alguma conta aqui no blog, ficará mais fácil identificá-lo em seus comentários tão enriquecedores.
    Realmente, podemos avaliar tal ponto como algo justificável e até interessante de se analisar.
    Muito obrigado pela participação, volte sempre!
    Logo logo, o blog terá novidades nas análises!

  • Burgueses viviam para a religião?
    Bom, se a gente colocar em contexto a revolução francesa, que é a matriz de todas as revoluções simultâneas ou subsequentes, temos burgueses realmente sem religião, afinal, o cristianismo foi abolido da sociedade francesa naquela época. Eu interpreto dessa forma: colocando em contexto os burgueses sem religião, ele quer fazer uma alusão a época de terror em que esses líderes burgueses governaram.

  • a expressão "geração coca-cola" ñ era para dizer q vinheram para fazer "mal" para o governo e todo o sistema.?

  • Ayrton e NIlson, dois pontos interessantes e que claro, nos enriquecem! Obrigado pelas análises próprias.

  • Ayrton Naurto, mas na revolução francesa a burguesia tinha sim uma religião, a protestante !

  • Gostei muito da interpretação, mas sou obrigada a concordar com o Ayrton. Os burgueses eram contra a religião porque na época anterior à Revolução Francesa, os dois estratos sociais privilegiados eram justamente a nobreza e a Igreja. Não confundam Revolução Francesa com Reforma Protestante (esta sim teve apoio burguês), mesmo porque a França, em sua maioria, sempre foi católica.

  • Segundo tivemos uma palestra esta semana na "VII Semana de História: as novas linguagens no ensino de história", em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, sendo o palestrante e Mestre Luciano Carneiro Alves (UFMT/ROO), que trabalha as letras de músicas como objeto - e não simples fonte - documental-histórico, e que segundo compreendi, Alves explica que na verdade a música não é bem tratar do capitalismo em si e de suas questões periféricas como, num primeiro olhar, é o que se permite entender. Antes, a música se refere a um momento histórico do anos 80 em que o preconceito contra a outras músicas, como o sertanejo (Chitãozinho e Chororó, etc.), sendo culpadas por ou pela degradação intelectual por outros artistas da época, acho que como Alves citou o Lulu Santos desabafando no programa do Faustão, enfim, a intolerância ao diferente (inclusive a questão sexual), então, o renato Russo lança um CD em que tem uma música, acho que Country, em que ele modifica a letra, que era direcionada do pai falando sobre a filha crescendo (se lembro bem) e o renato a modifica direcionando para o sentido homoafetivo trocando os pronomes de tratamento dele "ela" por "ele" etc. ao mesmo tempo tratando de dois preconceitos, ao gênero ou estílo musical e a orientação sexual. Inclusive Alves citou outros exemplos, que não menos ingênuo, nesta lógica, Renato cantando algumas música, por exemplo a dos Menudos em "Hoje à noite não tem luar".
    Assim, achei interessantes as interpretações, mas apenas estou trazendo a música problematizada históricamente e que me trouxeram questões e argumentos que eu desconhecia. Tomei como uma terceira forma de perceber a música, só que articulada ao momento histórico da época, do qual todos estão sujeitos.
    Em suma, entendi que Renato não só tratava de colocar a refletir questões de orientação sexual, mas também, de "orientação musical" e de pensa-las não pelo viés da intolerância ou até mesmo tolerância, mas do respeito.

  • Eu era adolescente na época dessa música, final dos anos 70 e início dos anos 80.

    Tínhamos uma grande frustação porque nossa Geração não tinha produzido nada.

    Víamos a geração dos anos 60 revolucionando o mundo com o rock e a dos anos 70 se perdendo em drogas e lutando contra a ditadura ....

    E nós? Não estávamos fazendo nada, não tínhamos um movimento nem uma identidade.

    Para mim o Renato Russo captou essa frustação e criou um bordão para a nossa Geração: "Geração Coca-Cola", que não tinha feito nada, composta por burgueses sem fé, só pensando em ganhar dinheiro, se encaixando nas engrenagens do sistema capitalista.

    Não se revoltava com nada.
    Ao meu ver, a música foi uma sacudida na Geração, é como se Renato falasse:
    - Vocês não vão fazer nada, p.....?!!!

    Depois, essa (nossa) geração fez um bom rock brasileiro e acabou conquistando e consolidando a democracia.

    Não foi tão em ruim assim.....

  • "Vamos fazer nosso dever de casa
    E aí então vocês vão ver
    Suas crianças derrubando reis
    Fazer comédia no cinema com as suas leis.."

    Sinto que ele quis dizer que a nossa geração foi abandonada pelos governo, pela familia... não havia emprego, trabalho perspectiva... Na verdade nesse trecho penso que ele queria dizer: vamos criar nosso filhos de modo que eles possam derrubar os donos do poder..faremos piada de suas leis e farão um novo país...a nossa geração queria que os seus filhos fossem criados de forma diferente: com mais oportunidade e cidadania, com mais senso critico.

  • Craveiro captou certinho. Tb fui adolescente na época desta música ser lançada. Foi um "sacode" que Renato Russo nos mandou.. e tá servindo de novo, pra esta nova geração.. "tacaram Mentos nesta Coca-Cola"

  • A música retrata uma revolta quanto à situação do país na época, em que havia um momento histórico importante da transição da ditadura para a democracia. A geração coca-cola é a geração de certa forma alienada, calada pela ditadura e "forçada" a engolir goela a baixo a política ditatorial patrocinada pelos EUA, pela burguesia estrangeira e nacional.

    A revolução que Renato Russo tece no final da música se refere à uma reviravolta rumo ao "país do futuro", democrático, auto-suficiente, independente, com posições políticas não manipuladas por forças e capital estrangeiros e assim pode-se cuspir (talvez o termo melhor seria regurgitar) o que absorvemos de ruim dos EUA e devolver a eles de forma não tão civilizada assim, literalmente cuspindo no prato que comeu.

    Ao meu ver, é algo um tanto quanto utópico o que a música propõe, com uma sutil tendência ao ufanismo e à mudança que o Brasil se torne mais poderoso que os EUA e passem a tratá-lo da forma mesquinha que eles nos tratavam. Entendo também que Renato expressa alguma opinião esquerdista, Marxista, nos auto-intitulando burgueses sem religião de uma forma pejorativa, frutos de uma revolução industrial, social, econômica e política que não produziu em nenhum aspecto algo melhor para o país e para a evolução da sociedade, apenas uma produção em série de uma geração que é alienada, com pensamento linear influenciado pelo grande irmão do norte, feito latinhas idênticas de coca-cola.

  • mt bom!!!!!

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