Uma das mais poéticas, de estrutura simples, ritmo e letra alegre, "Quase Sem Querer" nos dá noções perfeitas de um amor e dúvidas adolescentes, de uma frequência de conflitos internos.

Vindo do segundo álbum da Legião Urbana, "Quase Sem Querer" traria consigo um sucesso enorme e uma responsabilidade imensa de competir como uma das "letras que se destacam mais" em um álbum que traria Eduardo e Mônica, Índios, Metrópole, Andrea Doria e Daniel Na Cova dos Leões, dentre outras letras não citadas.

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranqüilo e tão contente.

Essa música ela tem vários modos pra poder se analisar.
Levando e conta a fase de Renato Russo, e pensando por um outro lado de um amor adolescente (que essa música nos dá em seu leque), cheguei à conclusão que "Quase Sem Querer", seria uma auto-descrição de Renato Russo.
Ele tem andado distraído, impaciente e indeciso, e esta confuso, em relação à esse novo amor.
Distraído por só pensar nessa terceira pessoa, impaciente porque o quer, indeciso, porque esse amor pode lhe dar opções (até a homossexualidade) e sente que agora, tudo está diferente, porque ele está tranquilo e contente, seguro e sente-se correto com esse novo amor que o invadiu.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Ainda no ponto de vista anterior, analisando a letra de um relacionamento à modo "Daniel Na Cova dos Leões", Renato se pergunta de quantas chances ele desperdiçou, quando o que ele mais queria, era provar pra todo mundo, que ele não precisava provar nada pra ninguém, se referindo possivelmente aos preconceitos, às ignorâncias de uma sociedade intolerante ou caso o relacionamento for de "menino para menina", se encaixando também, das possíveis vezes que foram criticados por estarem juntos. 
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Renato em outras palavras, diz que se partiu em partes pra terceira pessoa juntar, e que ela, por ser como ele, soube procurar e achar cada pedaço, e por isso, ele queria sempre achar uma explicação pro que ele sentia (algo diferente, socialmente, talvez?), como um anjo caído, ele fez questão de esquecer, que se enganar é a pior enganação, provando pra si mesmo, que ele sempre se conheceu, e sabe que não é mais tão criança (mais tão jovem), ao ponto de saber tudo (ou julgar que saberia tudo).
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Já não se preocupa se não sabe o porquê de ser assim.
Às vezes, por ser exatamente desse jeito, ele vê coisas que as outras pessoas não vêem (comportamentais, atitudes e palavras, que ditas ou feitas por pessoas "normais", não soaria diferente e nem teria o mesmo sentido). E ele sabe, que a terceira pessoa, quase sem querer, vê/sente o mesmo que ele.
Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Renato, de um modo interessante, diz que é correto e bonito o "infinito" e que ele é um dos deuses mais lindos. Creio que esse infinito seja a liberdade (que Renato tanto buscava) em seus atos. Quando liberto, sente que sabe às vezes, que usa palavras repetidas (sentimentos ou atos iguais), e se pergunta quais são essas "palavras" que nunca são ditas.
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Renato realmente percebe o quão grande é o seu afeto pela outra pessoa quando descobre que a terceira pessoa estava chorando. Quando ela chorou, em seu momento de fraqueza ou dor, Renato percebeu o quanto lhe queria bem.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

Renato repete suas palavras novamente...
Ele já não se preocupa se não entende os porquês de ser assim, e às vezes percebe que o que ele vê, quase ninguém vê, pois nem todos estão atentos como ele, e ele sabe, quase sem querer, que o fim disso tudo, ele e a terceira pessoa sabem resolver, pois eles querem a mesma coisa.
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Minha análise foi realmente um pouco confusa e em certo ponto deixou à esperar, mas confesso que essa música me deu sempre dois lados (um relacionamento jovem e uma atração bissexual), e tentei expor ambas na mesma análise. Espero que entendam.


Análise e interpretação: Eduardo Rezende


19 comentários to "Interpretação: Quase Sem Querer"

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