Sendo a música de abertura do V, "Love Song" traz a era medieval para o disco conhecido justamente por isso: trabalhos de escritas e falas medievais, pensamentos e frases simples que nos passam a ideia do "hoje".
A letra de "Love Song" é na verdade, uma cantiga de amor, escrita por Nuno Fernandes Torneol, que é reconhecido muitas vezes justamente pela divulgação de sua obra Canção-Do-Amor (Love Song), pelo trabalho da Legião.
A Letra serve em outras palavras, para dar inicio a segunda obra do álbum, "Metal Contra As Nuvens", que também apresenta linguagem e ritmo medieval, que por sua vez, dá-se o seguimento para a instrumental "A Ordem Dos Templários" (a terceira faixa do disco). Todas as três, trazem o medievalismo, sendo a primeira, considerada um ótimo trabalho por desenvoltura, instrumental e por ser uma cantiga de amor, a segunda por ser crítica, figurada e letra mais do que bem estruturada, e a terceira, por ser considerada a melhor instrumental da Legião.
"Love Song" é em outras palavras, a abertura para o melhor disco da Legião, é a cara, a bandeira do quinto álbum da Legião Urbana, sendo composta por Renato, Dado e Bonfá - dois álbuns depois da saída de Renato Rocha.

Pois nasci nunca vi amor
E ouço dele sempre falar.
Pero sei que me quer matar
Mais rogarei a mia senhor
Que me mostr' aquel matador
Ou que m'ampare del melhor

Sendo parte (e uma das principais obras) das obras de Cantigas de Amor, "Love Song" apresenta uma linguagem difícil e realmente para traduzir, embora algumas palavras sejam cognatas e fáceis de se analisar, optei para uma procura rígida e em um site sobre medievalismo eu encontrei a resposta que procurava:

''Desde que nasci, nunca conheci o amor 
e ouço sempre falar dele
Porém eu sei que me quer matar, 
por isso rogarei mais a minha senhora
que me mostre aquele matador,
ou que me ampare de algo melhor''.

É bem simples de se entender... Desde que nasceu, ele (o homem, personagem, autor - e posteriormente cantor), nunca viu amor, e sempre ouve falarem dele. Ele sabe, que o amor é mortal, que ele mata, e que ele faz matar, mas mesmo assim, ele pedirá à sua amada, que ela mostre esse tal matador... Que ela ensine-o a morrer com esse matador... Que ela possa lhe ensinar como amar, ou então, que lhe dê algo melhor do que o amor. Afinal, o amor pode ser o melhor, ou pior sentimento e fraqueza dos homens.



Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende



Apresentada em "O Descobrimento do Brasil", Love In The Afternoon é de uma linguagem pura e simples, que não há como não se emocionar sem não ter ouvido ou lido algumas das linhas escritas com perfeição do nosso gênio Renato Russo. Dedico essa música à todos os Legionários visitantes e companheiros desse blog, que assim como eu, sentem falta de quem já se foi. Tanto de Renato, quanto por Cazuza, Elis, e tantos e tantos outros que se foram, não só no Brasil, mas também em todo o mundo, e deixaram um legado e várias e várias letras de músicas que serão eternas.
Love In The Afternoon, segundo Renato foi feita para Luís que era um amigo. Eles chegaram à namorar um tempo.Que morreu baleado por homens que segundo Renato são/eram "sujeitos estranhos", na saída de uma boate em Campo Grande, onde segundo Renato costumavam ir juntos. Renato completa essa entrevista com esse trecho, dizendo que isso é "uma coisa terrível".
Deixemos de papo, e vamos a música. Segue-se a interpretação abaixo:

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais...

Renato aqui, nos mostra algo e fala por todos nós, com toda a certeza.
Ele diz que é muito estranho, os bons morrerem jovens, e que ele percebe isso, quando se lembra da pessoa que se foi "cedo demais". Podemos ter a real noção de como isso é verdade, quando olhamos em nosso íntimo, e percebemos que ao menos uma vez na vida, chegamos a pensar, o quão injusto é os bons morrerem jovens. Os bons que foram para nós e para todo o mundo, irem embora injustamente ou justamente, deixando pessoas, objetos e lembranças.

Quando eu lhe dizia:
"Eu me apaixono todo dia
E é sempre a pessoa errada."
Você sorriu e disse:
"Eu gosto de você também."

Só que você foi embora
Cedo demais...

Aqui, Renato expõe um pouco desse relacionamento. Em suas frases, vemos que realmente havia amor, e que novamente, ele se lamenta, dizendo que a pessoa/Luís, foi embora cedo de mais.

Eu continuo aqui
Com meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você em dias assim
Dia de chuva, dia de sol
E o que sinto não sei dizer.

Eu realmente acho interessante essa parte, porque é aqui, que ele mostra a realidade.
As pessoas morrem, e nós continuamos a vida, não podemos parar.
Continuamos com o trabalho, os amigos... E temos os dias de sol e chuva pra poder lembrar dessas pessoas que se foram, porque elas sempre serão eternas em nossas memórias e sentimentos, e é ai que está: Tudo ao redor, construído pelos dois, vivido pelos dois, traz à mente as lembranças dos momentos ali vividos.

Vai com os anjos, vai em paz!
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...

Aqui, Renato diz frases que já são embutidas na Sociedade.
O "era assim todo o dia de tarde", que Renato diz, é o que se segue abaixo. Todo o dia de tarde, eles redescobriam a amizade. Eles se tornavam amigos e amantes novamente. Amantes de si para o outro. Amantes da vida. E então, Renato expõe uma opinião interessante, que está presente em outras músicas do mesmo disco (logo teremos outras interpretações deste, e vocês poderão compartilhar a mesma ideia): "Até a próxima vez", que Renato cita, podemos ver a ideia de reencarnação, ou de volta a Terra, ou então até a ideia de um possível reencontro em outros planos.

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais...

Aqui, Renato nos mostra novamente o quão estranho é, e o quão injusto é, o fato dos bons morrerem jovens, novamente, ele nos dá a ideia de lembrança de seu companheiro falecido, e diz que se lembra de muita gente que se foi cedo de mais...

E cedo demais
Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu, que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer.

Aqui, Renato fala uma das frases mais brilhantes da música, e talvez até do próprio álbum (que está recheado de ótimas letras). Renato diz o seguinte: "Eu aprendi a ter tudo o que sempre quis/Só não aprendi a perder", o que realmente está e sempre aconteceu com todos. Nós desde pequenos, somos preparados para ganhar. Ganhar objetos, dinheiro, nomes... pessoas... Mas quando perdemos objetos, dinheiros, contatos, ainda assim, julgamos aceitável. Porém, as pessoas também podem ser perdidas. E não é perdido, no sentido  Dado (Dado Viciado), é perder-se, no sentido de não se ter mais. De infelizmente, nunca poder ter um reencontro.

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre, mas eu sei
Que você está bem agora
Só que este ano
O verão acabou
Cedo demais...

Essa ultima parte, nos dá a ideia de que Renato as vezes se sente incerto.
Ele se lembra das tardes que ambos passaram juntos, e as vezes, ele sabe que ele, companheiro, está bem agora. Só que nesse ano, o verão acabou (cedo demais). Ai fica a questão: O que o "verão" nos passa na músicas? Creio que o verão, como é o simbolo de sol, e o Sol, é a representação das tardes, Renato talvez queira nos mostrar, que nesse ano, as tardes, o verão, o Sol, todos passaram rápido demais, e que acabaram rápido demais, assim como a vida de seu companheiro, que foi embora cedo demais.



"Love In The Afternoon" é uma das mais belas letras de Renato. Uma das poucas que lida com a morte assim, de forma tão direta. Renato disse a frase seguinte em uma entrevista: "É uma música que foi escrita para diversas pessoas e, quando o Kurt Cobain morreu, a gente pensou assim: 'poxa, mas se encaixa direitinho'. Na verdade, esta música foi feita para todas as pessoas que vão embora cedo demais". Com ou sem Kurt ou Luís, essa obra, é uma letra que se encaixa na vida de cada um, com o nome que nos vem em mente e lembrança.
É uma música que nos faz pensar, refletir, e pensar em quem já se foi. É irresistível ouvi-la e não ter boas lembranças. Eu pelo menos creio e faço isso.
Espero que tenham gostado, e para complementar uma informação, há um filme chamado "Love In The Afternoon", mas ele nada tem de comparável à essa obra.

Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende


Sendo d'O Descobrimento do Brasil, "La Nuova Gioventú", é uma letra moderna de pensamentos jovens.
Fala de um romantismo à moda Renato Russo. Diferente, polêmico, cheio de pontos para se analisar, e para se tomar partido.
A música fala de um jovem falando para sua/seu companheiro amoroso, sobre seus planos, sobre suas ideias e o modo de vida que iriam levar juntos. Segue-se abaixo a letra e a interpretação de La Nuova Gioventú, que participou do segundo álbum ao vivo da Legião, "Como É Que Se Diz Eu Te Amo":


Tudo que sei
É que você quis partir
Eu quis partir sem você
Tirar você de mim

Aqui, vemos um certo egoísmo sentimental e individualismo.
Renato diz pra "ela" (teceria pessoa), que tudo o que ele sabe é o que realmente aconteceu: A pessoa partiu, e portanto, ele quis partir a pessoa, tirá-la dele.
Demorei para esquecer
Demorei para encontrar
Um lugar onde você não me machucasse mais
E guardei um pouco
Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos

Nessa parte podemos perceber o quão difícil foi pra ele. Ele demorou pra esquecer ou encontrar algum lugar, que não o lembrasse desse relacionamento. Um lugar onde não houvessem lembranças que o machucassem ao lembrar da pessoa que se partiu.
Ele guardou o tempo, porque o tempo, é mercúrio-cromo - podemos levar em conta, que tempo é a cura - e que tempo, é tudo o que são, não diferente de hoje, onde o tempo tem um lado positivo, pois cura, porém o tempo nos apressa, nos faz ser, nos faz querer, nos faz fazer.


Talvez tivéssemos, teríamos tido, tivéramos filhos
Estava lhe ensinando a ler
On the Road
E coisas desiguais
Com você por perto
Eu gostava mais de mim.

Aqui, vemos os planos do par.
Eles pensavam em ter filhos, porém eram imaturos (estava lhe ensinando a ler), apesar dele saber que era mais maduro que a terceira pessoa. O que Renato tentava passar para a terceira pessoa era o "agir, fazer!" dos jovens dos anos 60, que foram influenciados pela obra "On The Road", de Jack Kerouac, que tinha como base fazer os jovens correrem atrás do que buscavam.
Então, Renato diz que quando ela estava por perto, ele gostava mais dele, pois como ele mesmo diz: "tirar você de mim", mostra que ela era parte dele.


Veja bem, eu já não sei se estou bem só por dizer
Só por dizer é que finjo que sei
Não me olhe assim
Eu sou parte de você
Você não é parte de mim.

Vemos uma frase interessante de Renato na música.
Não é porque ele diz que está bem, que ele realmente está, e por dizer que está bem, ele acaba fingindo que está, e sabe que as pessoas sentem desconfiança ("Não me olhe assim..."), e ai ele diz uma frase direta para a terceira pessoa: Ele é parte dela (pensamento típico de jovens, mostrando que são mais que o alheio), mas que ela não é parte dele, sendo que ele mesmo sabe, que isso é mentira.

Do meu passado você faz pouco caso

Mas, só para você saber,
Me diverti um bocado

Vemos que ela não se importa com o que ele viveu, aprendeu e fez com ela, pois ela faz pouco caso desse passado, mas ele obviamente, não iria querer "ficar por baixo" e diz que só pra ela saber, ele se divertiu bastante com ela (digamos em outras palavras, "foi bom o quanto eu te usei...").


E com você por perto
Eu gostava mais de mim

E novamente ele entra em consideração, provavelmente em seu íntimo, ao dizer de novo, que quando ela estava por perto, ele gostava mais de si.

(Coloquei o vídeo ao vivo porque a música mais agitada fica melhor e o sentido da interpretação fica mais claro).

Analisado e escrito por: Eduardo Rezende