Vinda do "As Quatro Estações", é apresentado na Faixa de número 10 uma das mais belas canções de amor que Renato Russo já conseguiu escrever. Não se prendendo à metáforas nem à enigmas ou simbolismos, Renato foi direto ao escrever um poema romântico que nos passa a ideia perfeita de um primeiro amor ou de lembranças fiéis de um tempo que não voltará.  Renato foi perfeito ao conseguir descrever um sentimento possessivo que temos aos outros e ao egocentrismo humano ao mostrar que sempre nos colocamos sobre os outros como se o resto do mundo nos devesse momentos ou palavras que sentimos a devida falta.
"Sete Cidades" é tão clara, tão simples e tão perfeito, e suas várias versões conseguem se apresentar cada vez, uma melhor que a outra. 

Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade

A primeira parte é constituída da ideia citada anteriormente.
O desejo possessivo o faz ver que ele já se acostumou com a voz, o rosto e o olhar dessa terceira pessoa, e que agora, se sente partido em uma parte que não fica presente quando ela (pessoa) não está presente. A outra parte, é a outra pessoa, e ele procura por ela. 

Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu

Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo

Quando ela não está com ele, ele se sente incompleto - como dito - e sente falta de si mesmo, e a falta do corpo da outra pessoa junto ao dele, como se eles se encaixassem e formassem algo uno. 
Renato compara o seu coração à algo tosco e pobre, por ele ainda não "se sentir maduro", e não saber os caminhos do mundo. Essa parte, da maturidade do sentimento, se refere à maturidade de se sentir sozinho quando não está completo. O sentimento dele o faz sentir bobo, quando se depara sozinho e vê que cada um tem sua vida, mas que ele gostaria de estar 24 horas por dia com sua pessoa amada. 

Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu

Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe

Renato mostra o quanto a terceira pessoa o representa como um porto firme e seguro para seus sentimentos pessimistas e sua falta de coragem. Ela quando ausente, o mostra o quão fraco ele é, pois é ai que ele vê que tem medo até de si mesmo, e que a falta da presença dela, o deixa inseguro e com sede da presença dela.
A música é finalizada de uma forma muito clara: Renato ansioso, à deseja por todos os momentos. Ambos já fizeram promessas demais juntos, sejam elas de confiança em um relacionamento, sejam elas de um possível "amor eterno".
Ele já se acostumou com a voz dela, e quando está com ela, se sente em paz.
A presença dela o faz se sentir firme, preso em si... e em sua ausência, tanto a confiança, quanto a saudade (nem que for por pouco tempo) ou até suas lembranças, voam longe, longe, longe... 


"Sete Cidades fala do amor carnal. Sobre quem ama quem não está perto. É como se faltasse um pedaço", 1990, Renato Russo

Análise e texto: Eduardo Rezende





Muito poética, e muitas vezes ignorada por não termos a vontade e tempo de analisá-la, Sereníssima é apresentada pela primeira vez em V - o quinto álbum da Legião Urbana, sendo a faixa 6 e reapresentada no Acústico MTV também como a faixa seis. É uma letra que realmente me deu certo trabalho para uma análise fria, porque sempre prefiro músicas críticas, e Legião Urbana nos abre um leque fantástico de letras simbólicas que atiram para todos os lados, e dentro da parte romântica, abre o espaço para o amor para elas, eles, para a razão, para a desvalorização ou para o social e o poético, que junta tudo isso, e mais um pouco: 

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.

Nessa parte, podemos ver como Renato coloca o ser humano no sentido afetivo. Ele se coloca como um animal que se apega facilmente ao que lhe atrai, ora, o homem seria como um animal, que se coloca sob o instinto, que lhe faz ser atraído por alguém.

Sobre essa questão, é colocado o ponto: Renato diz que nem tudo o que a parceira (poderíamos colocar ela, ou ele em certas situações), gostaria que ele fizesse, ele gostaria de fazer, e que se algo assim acontecesse, ele traria em jogo, a lei do retorno. Ele "acha" (talvez até ironicamente), o que a terceira pessoa gostaria de lhe dizer, mas existem outros pontos de vista, e outros atos, se ainda estivermos falando de afeto. 

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Esse conjunto de versos tão simples, são realmente fantásticos. 

Renato mostra um ponto interessante, somos o conjunto de sentimentos que ora pendulam para um lado, ora ao outro. Somos uma balança que conforme os pesos de nossos atos, devem pendular à certo lado. Por justamente cortejar a insanidade, ou seja, seguir e ser agraciado pela falta de bom senso, a falta de um bom senso, que o faz crer que tudo está perdido no mundo, mas que existem possibilidades de melhorá-lo, um mundo físico ou sentimental, criado por duas pessoas (como no caso), duas pessoas que tinham uma ideia e que ela, a companheira, mudou os planos, e que depois, adequaram a ideia em um plano, e então ela mudou de ideia. Imagino sempre essa fase, como um pré-casamento. Eles tinham a ideia de se casar, mas ela mudou os planos, como por exemplo, não querer se casar logo, e que quando decidiram se casar futuramente, ela mudou a ideia, para não se casar, pode não ser isso, mas essa frase me remete à crer em uma cena parecida, mas afinal, já passou, quem sabe outro dia, ela muda de ideia novamente e volta à crer na minha falta de bom senso?

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Essa parte também é algo muito interessante de se analisar ao lado romântico da coisa, acendendo uma vela sobre uma mesa de questões escritas por Renato:
Antes ele sonhava com a pessoa, agora ele já não dorme, justamente por pensar na pessoa e perder seu sono buscando ela em pensamentos, coloca esses atos, como uma competição de quem busca mais o outro, ela buscando-o em sonhos e pensamentos, ou ele desenterrando-a de seus sentimentos para estarem juntos quando não fisicamente.
Os dois últimos versos se referem à um pensamento de rir na cara e da cara dos outros, o que ninguém percebe, é o que todo mundo sabe, o que ninguém nota, é o que todos justamente já sabem. Ninguém nota que ambos se gostam e se querem, e justamente compartilham amor em atos e sentimentos, e para a sociedade, Renato mostra um lado irônico, dizendo que não entende o terrorismo, pois eles falavam de amizade. Nas entrelinhas, a amizade seria o sentimento que o faz perder o sono, todas as noites. 

Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Renato aqui, volta à disputa por quem persiste mais no amor de ambos, que a sociedade julga como uma amizade (lembrando que uso o ela mas que podemos nos referir ao ele).
Ele diz que não está mais interessado no que sente, e que não acredita em nada além do que duvida, ou seja, ele não tem certeza de que está realmente não mais interessado na pessoa, a sua dúvida o faz ver que não acredita em nada além do seu sentimento duvidoso. Ela espera as respostas que ele não tem, seja para o sentimento de ambos, com ela querendo atitudes dele ou por palavras, e que ele não brigará por isso, prefere ficar no comodismo... Ele espera atitudes dela, e ela espera atitudes dele, e disso ele não duvida. 

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.

Conseguimos entender o  racional para algo totalmente sentimental: a falta de lógica! 
Renato compara seus sentimentos à uma laranjeira, cujas folhas são verdes, e ele as enxerga prateadas. Para muitos, algo bobo, para um lado nas entrelinhas, algo de reflexo romântico. Ele enxerga tudo de uma forma brilhante e mais poética. A causa do seu sentimento que seria comum, e que ele enxerga de uma forma diferente e romântica, é a causa da lua, na madrugada. Ele perde sua madrugada admirando a lua, então compara seu amor, e vê que a causa (novamente) da perda do seu sono, se relaciona ao modo com que enxerga o afeto à terceira pessoa. 
De uma forma engraçada, ele mostra que fica confuso diante disso. Tem um sorriso bobo, desajeitado e chato como um soluço, e ele sorri, contente, admirando um amor passar por ele, fazendo de horas, parecerem minutos, enquanto o caos segue em frente, com toda a calma do mundo...


Análise e interpretação: Eduardo Rezende




Lançada em 1985, "Será" é o hino de uma religião de fãs que se esgoelavam para cantar juntos ao mestre de uma banda chamada Legião Urbana.
Sendo uma das músicas que mais puxou a vendagem de discos, "Será" é uma letra muito simples comparada às outras de rebeldia que Renato Russo viria à escrever. "Será é imbatível. Acho que tudo o que a gente vai falar na vida está naquela música" - Renato Russo, 1988.


Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor

A música sempre pôde ser levada por dois lados. Um lado amoroso, e outro lado, de uma experiência de vida. Imagino que o lado de experiência de vida seja maior, mas o lado amoroso não pode ser deixado de lado, visto que quem à escreveu foi o poeta das multifaces.
Ele (personagem) espera que a pessoa tire "as mãos dele" porque el não pertence à ela, ele é livre e não gosta de ser dominado, diz que pode estar sozinho, mas sabe aonde está, e que ela pode duvidar de sua certeza ou de sua confiança, mas ele crê que a dúvida não é prova de amor. Pro lado amoroso, essa parte se encaixa perfeitamente uma vez que ele não quer ter dono e quer ser livre no mundo, fazer e ir onde querer sem dar satisfação porque ele pode estar sozinho, fazendo o que bem entender. 


Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Uma dúvida cruel, que nos leva ao lado de experiência de vida.
Um adolescente inexperiente que não quer dar respostas e quer ser dono de tudo e de si, se depara com a realidade da vida. Será que é só imaginação? Tudo o que vejo, realmente é verdade? Será que nada vai acontecer? Será que pra sempre terei que viver no conformismo sem saber a verdade? Será que é tudo isso em vão? Será que realmente farei o que quero e no fim, serei o que quis? Será que irei conseguir vencer?


Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nossos corações

Aqui é uma parte interessante de se analisar friamente. 
O personagem em questão ainda em pergunta de será?, indaga sobre o possível ato de se perder entre monstros da própria criação, ou seja, se perder em pensamentos negativos criados por si mesmos, e que é possível  caso isso acontecer, perder noites inteiras com medo do que virá à acontecer, e por isso, ficarão acordados imaginando alguma solução pra que o egoísmo não os destrua, afinal, esse medo, diz respeito à apenas eles, eles, que são donos de si, e que julgam que o amor não é a dúvida, e que não pertencem à 
ninguém. 

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Aqui, novamente, os jovens se perguntam, afinal, o futuro é um tema que jamais teve respostas, só pertence à Deus! E a eles, apenas a realidade que vivem e que escolheram viver. 

Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a maisEu e você?

Essa parte volta ao lado amoroso da coisa.
Brigar pra quê, se é sempre sem querer, jamais queremos brigar, então pra quê nos magoarmos?
Quem é que vai nos proteger se brigarmos, afinal, um protege o outro!
Será que vamos ter que responder pelos erros a mais juntos? "Como se já não bastasse meus defeitos, terei que dividir as soluções com você? Ora! Tire suas mãos de mim, eu respondo pelos meus erros!"

Análise da música: Eduardo Rezende


Vinda do "As Quatro Estações", "Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar" é a última faixa do álbum que leva o clima romântico também da faixa anterior Sete Cidades.

Assim como outras do álbum, apresenta uma letra fácil de se entender, sem muitas portas para análises, e como em Meninos e Meninas, apresenta em sua letra um simbolismo católico, relembrando às origens de Renato, de uma família tradicionalmente católica, além de Monte Castelo.
A letra segue-se abaixo do modo tradicional, com as análises feitas em versos que apresente algo curioso de ser ressaltado:

Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então, eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
Sem querer me machucar de novo
Por culpa do amor
Mas você e eu podemos namorar.
E era simples: ficamos fortes.
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu

Nos primeiros versos, Renato mostra a ansiedade de um amor.
Ele espera a pessoa passar por ali, e sabe então, que já não sabia amar, e vivia perdido errando e se machucando constantemente por culpa desse amor, talvez seja aqui, uma retratação de um amor que é buscado e esperado por ele, mas nunca conseguido ou conquistado. Renato amava alguém que tinha as esperanças que passariam por ali, a pessoa da causa de sua espera, e assume que sempre se via perdido quando o assunto era o amor.
Assume ainda que a terceira pessoa e ele podem namorar (futuro), e que é era (passado) simples, pois eles ficaram fortes com o tempo, e ainda assume que "quando se aprender a amar, o mundo passa a ser seu". Sem dúvida uma das mais tocantes frases e de filosofia profunda.

Sei rimar romã com travesseiro
Quero a minha nação soberana
Com espaço, nobreza e descanso.
Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que estava então longe de sereno
E fiquei tanto tempo duvidando de mim
Por fazer amor fazer sentido.
Começo a ficar livre
Espero. Acho que sim.
De olhos fechados não me vejo e,
Você sorriu pra mim

Nos primeiros versos, apesar de meio bobo, Renato mostra que com o amor, consegue rimar palavras que não se dá pra rimar. Romã e travesseiro não são palavras parecidas para se conseguir rimar... Pensando muito alto e analisando uma lógica colocando outras em mesa, romã é uma fruta constantemente usada em simbolismos e crendices para o feito de "simpatias", romã no caso, poderia levar ao amor, e o travesseiro a causa do amor - sexual, afetivo.
Eis a crítica em duplo sentido. Renato quer sua nação soberana, com espaço, nobreza e descanso. No sentido literal, uma pátria calma, com nobreza, não pobreza, não se referindo à ter mais ricos que pobres, mas ter apenas ricos e não pobres, e no sentido poético, de ter um lugar pra si, onde mandar, onde tenha coisas que ele cita ser de seu desejo, claro, tudo isso ainda no desejo de ter a pessoa.
Renato confessa novamente que ficou esperando o seu amor passar, e que já não estava mais sereno, estava agitado com essas idas e vindas e essa esperança de ver novamente essa terceira pessoa e diz que ficou muito tempo duvidando de si, por fazer o amor fazer sentido, por ele sentir amor e não conseguir estar calmo, sendo agitado e vendo que não corresponde à calma que o amor deve representar.
Diz que começa a ficar livre, começa a não pensar mais na pessoa, e ele espera. Imagina que dessa vez sim irá conseguir, já não esperará mais a pessoa e de repente... Ele fecha os olhos pro seu interior, esquece o que sente e vê que a terceira pessoa eis que passa e sorri pra ele...

"Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Dai-nos a paz."

"É uma situação onde a pessoa já levou tanta porrada que nem sabe... 'e me via perdido e vivendo em erro/Sem querer me machucar de novo/Por culpa do amor'. Quando eu estou apaixonado fica tudo uma maravilha. Mas tem que ser uma relação resolvida - a relação complicada, complexa e confusa deixa você mal de cabeça e realmente negativo. A música termina com aquela parte da liturgia católica cristã: 'Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo/Tende piedade de nós/Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo/dai-nos a paz'. Depois é que percebemos que o Cazuza já tinha feito uma colocação parecida em Blues da Piedade"(1990)


Interpretação: Eduardo Rezende



Vinda do álbum "Dois", da Legião Urbana, Acrilic On Canvas viria à ser uma letra pintada com formas poéticas de palavras sem rimas, mas que combinam com o ritmo desapressado e composto, do que viria à ser uma música de saudade e abandono, curiosamente sendo a segunda música dedicada à garota polêmica de "Eu Sei".

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

Renato a música toda, retrata sua solidão e espera dessa terceira pessoa que se foi, como sendo a causa principal para sua inspiração e vontade de pintar e/ou desenhar. Não podemos esquecer, nesse contexto simbólico, que sua irmã era uma artista e pintava quadros.
Renato no terceiro verso, mostra que fazia desenhos perfeitos da pessoa que o abandona, e que faz traços de ambos (quarto verso), dos atos que não fizeram.
Renato ainda menciona o fato de a terceira pessoa e ele fazerem uma promessa de um dia serem três, ou seja, constituir família. Renato diz que "trabalhou" com a terceira pessoa em luz e sombra, o que nos remete à três sentidos. O primeiro, de que ele, e ela, sempre estiveram juntos em luz e sombra, o segundo, que em "sombra" e "luz" ele pensava nela ou (em terceiro e mais possível, mas também não podemos ignorar os outros), de que ele usava todos os tipos de técnicas conhecidas para fazer essa tão sonhada e buscada pessoa que o abandonou. 
E era sempre,
Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Aqui ele mostra que a causa dela o ter deixado foi o fato dele "a ter deixado triste".
Ele jura que não quis deixar ela triste, e assume que sempre manda as mesmas desculpas... e sabe que desculpas nem sempre são sinceras, reforçando depois que quase nunca são...
Aqui, vejo de uma forma como se Renato sempre fizesse um ato errôneo que magoasse a terceira pessoa, e ela, em um momento, cansou-se e abandonou-o, então, ela o deixa e não aceita suas desculpas, porque já está farta delas, e sabe que essas desculpas clichês já não são sinceras, pelo contrário: vazias e decoradas.


Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

Renato nesses versos começa à ser mais direto que anteriormente.
A tela seria a cama. Deixá-la pintada, seria deixar a cama bagunçada, sendo portando: Renato pinta a tela imaginando a cama que eles nunca chegaram à amaçar por se amarem sobre ela.
Renato depois, menciona os materiais físicos de parte dos objetos pertencentes à casa da amante,e  depois diz que com as lágrimas que rolaram por ela, ele destilou ou óleo de linhaça.
Diz que da cama arrancou pedaços simbolicamente, levando como objeto de inspiração aos moldes possíveis, que fez em tamanhos diferentes na madeira com estilete.
E Renato vai continuando sua comparação de objetos e coisas próprias da terceira pessoa, com objetos da pintura, sendo portando, as coisas da menina, o objeto de sua arte.

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição
Renato nessas primeiros quatro versos, mostra novamente suas desculpas, tentando ser sincero (lembrando que ele mesmo diz que suas desculpas não eram sinceras), e depois diz nos versos seguintes que a traição era a mesma. Há quem diga que em "Eu Sei", o que fez o relacionamento quebrar-se foi que Renato não sentia atração pela menina, e talvez aqui ocorra o mesmo, a traição ocorre quando Renato olha para outras pessoas (não sendo apenas as meninas), e isso fez ocorrer o afastamento de ambos.

Às vezes é difícil esquecer:
"Sinto muito, ela não mora mais aqui"
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De "amor-perfeito"E "não-te-esqueças-de-mim"

Podemos notar o quão difícil é para o personagem caracterizado pelo cantor, de esquecer essa pessoa. É difícil aceitar e mostrar aos outros que a outra pessoa já não está mais próxima, e então, ele se pega pensando em porquê ele se vê fingindo que acredita no que inventa, porque, afinal, ele inventa seus quadros e acredita que ela, a menina ou terceira pessoa, seria essa obra, seria essa "forma" que seria trazida à luz por suas memórias, suas ironias, suas raivas, suas lembranças e sentimentos internos e próprios.
Ele ainda diz que nada aconteceu dessa forma, porque ele criou sexo que nunca ocorreu, a confiança, a troca de amor recíproca... E nada foi desse jeito. Do jeito dele, ninguém sofreu.
É deixado claro que ela realmente faz falta, obvio, lembrando que ele faz quadros dela, e que ela faz ele pintar essas flores com nomes de amor-perfeito e não-te-esqueças-de-mim, mostrando que ele tinha um amor platônico pelas figuras que idealizava ser a pessoa de um amor que não deu certo.


Apesar de um pouco confusa, eis então a tão pedida Acrilic On Canvas (Acrílico sobre telas).
Análise e interpretação: Eduardo Rezende



Na verdade não seria uma análise. Tampouco uma música.
"Riding Song" seria apresentado aos legionários no oitavo e último álbum da Legião Urbana, contando com os quatro (sim, quatro), integrantes da banda.
Ela viria com um som de fundo, um rock em uma bateria agitada com um ritmo alegre, apresentando apenas dois versos de música.
As quatro primeiras partes da música, viriam com as apresentações pessoais dos quatro integrantes da banda.
Cada parte, viria com o caráter de cada um, com as preferências, um resumo do resumo da vida deles até aquela fase. A música viria com uma coisa em comum entre os quatro integrantes:
Todos eles tinham uma vida e um caminho para fazer... a música e a rebeldia da época falou mais alto, e eis que surge a maior banda de Rock nacional.
A Legião Urbana nasceria quando todos eles, tão diferentes, encontram algo em comum: a vontade de cantar e tocar suas músicas.
A música, interessantemente, mostra um Renato Rocha ainda em seus primeiros álbuns junto à Legião Urbana. Outro ponto interessante é que os únicos versos "musicais" da letra, dizem "Eu já sei o que vou ser/Ser quando crescer", todos queriam ser músicos, como dito, após desistirem do que queriam ser...
Só não sabiam que cada um trilharia um rumo futuramente, que cada um seria uma nova pessoa quando a Legião Urbana acabasse (ou pelo menos se interrompesse em seus caminhos, como Renato Rocha), e que seriam reconhecidos até as futuras gerações, quando se tornassem os maiores músicos, das melhores letras críticas e ainda relembradas... Não sabiam que seriam relembrados e que se tornariam a maior banda do Brasil... os garotos de Brasília fariam um sucesso muito maior do que imaginavam.

"Eu sou o Renato Russo 
Eu escrevo as letras, eu canto 
Nasci no dia 27 de março, eu tenho 23 anos 
E sou Áries e ascendente em Peixes 
Eu trabalhava com Jornalismo, rádio, era professor de Inglês também 
E ... comecei a trabalhar com 17 anos e tudo 
Mas só que de repente tocar Rock era uma coisa que eu gostava mais de fazer 
E como deu certo eu continuo fazendo isso até hoje" 

"Meu nome é Dado Villa-Lobos 
Sou guitarrista da Legião Urbana 
Nasci dia 29 de Junho de 65, tenho 21 anos 
Cheguei em Brasília em torno de 79 
Cursei meu segundo grau, consegui entrar na faculdade de Sociologia 
Só que não era exatamente o lance que eu tava a fim de fazer 
Muito teórico, não tem nada de praticidade 
Aí meu lance era de repente fazer música" 

"Eu sou o Renato Rocha 
Baixista do Legião Urbana 
Tenho 25 anos, adoro esportes, adoro corrida de automóvel 
Sou de Brasília também, adoro música, Jazz, Rock 
Adoro Dead Kennedys 
Cursei metade do meu segundo grau 
Parei de estudar, por que eu gostava de fazer esportes" 

"Oi, meu nome é Marcelo Bonfá 
Nasci em 65, sou do signo de Aquários 
Gosto de esportes aquáticos, gosto de desenhar 
E gosto de música 
Saí da escola depois que eu terminei meu segundo grau 
Agora eu toco bateria na Legião Urbana" 

Eu já sei o que eu vou ser 
Ser quando eu crescer


- Eduardo Rezende, análise e texto.