Leitores:

Antes de mais nada, peço as sinceras desculpas pelo atraso de postagem e falta de respostas durante certo período de tempo, com problemas já resolvidos, cá retorno!

Inicio mais um ano neste blog, cada novo ano, melhorando este espaço tão limitado e tão complicado de se conseguir acessar ou entender.
O motivo real do blog, pelo menos até este mês de janeiro, foi analisar músicas da minha banda preferida, afinal, começou na inocência e imaturidade de brincar com isso, e hoje, dedico meu precioso e limitado tempo, para transmitir para vocês o que reparo nas entrelinhas destas tão mágicas e absolutas músicas.
Pois bem, neste mês de janeiro, encerro as atividades com as músicas da Legião Urbana, e como vocês sabem, não irei parar por ai, afinal, a música brasileira é riquíssima e novos cantores e compositores, bandas e conjuntos, devem ter um espaço. Portanto, criei o e-mail olivrodosdias@live.com para poder atender à todos vocês e suas sugestões, que virão sempre ao meu auxílio para escolher bandas, mas claro, em devidas ordens e em devida seleção - muito bem feita, como sempre o fiz aqui, nas músicas.
O blog me proporcionou um aumento como fã da Legião Urbana, e o reconhecimento e conhecimento, que buscava, me auxiliando, e me deixando apaixonado pela escrita, me tornando hoje, um jornalista.
Agradeço aos velhos e novos leitores e membros, meu muito obrigado de sempre, os votos de luz e boa sorte em seus caminhos, repletos de êxitos.
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O blog conseguiu fazer o que começou e pretendia, analisando músicas da Legião Urbana. Agora começo uma nova fase, partindo para outras bandas e outras músicas do Rock Nacional e da Música Popular Brasileira, contando com as clássicas dos festivais, e às famosas dos anos 80 e 90.
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Todo o inicio de ano, pelo menos até o fim do primeiro mês, fiz mudanças no blog, e neste novo ano não foi diferente, começando à editar todas as postagens, deixando-as de um único modo.

O meu muito obrigado à todos os parceiros e amigos,
Os votos de um feliz 2013 e que todos tenhamos êxitos em todos os nossos projetos, assim como eu consegui, há dois anos atrás, brincando, criar um blog, e hoje ultrapassar o limite de acessos que jamais imaginei que teria.
Agradeço à cada acesso como agradeço a capacidade de vocês de tentarem entender esse escritor, tão chato em cada vírgula postada! O meu muito obrigado e meu desejo de retorno à cada um de vocês!


Muitas músicas da Legião Urbana não carecem de análises ou interpretações. Muitas músicas falam por si só, algumas devem ser analisadas para que nenhuma vírgula de dúvida fique, outras, interpretadas para que a situação seja correspondida ou até tentar-se entender a terceira pessoa.
Algumas delas, não carecem de nada, falam por si só. São as que chamo de apresentadas de forma simples, com estruturas simples, não que não sejam boas, pelo contrário. Não carecem de simbolismos, falam por si de forma direta, com a história contida em versos próprios.
 
"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)
 
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.
 
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)"
 
Renato disse em uma entrevista certa vez, o que é claro: que a letra retratava uma pessoa que consegue se afastar dos vícios.
Vinte e Nove talvez seja pura por isso, desprendida de simbolismos por ser um relato, por ser uma parte da vida de Renato.
Vinte e Nove é apresentada, abrindo o disco "O Descobrimento do Brasil", que tem como característica marcante a presença de letras após a fase de dependência de Renato:
É citado na música o Retorno de Saturno, que é um fenômeno que a Astrologia descreve como os 29 anos para percorrer sua órbita e voltar ao ponto em que se encontrava no dia do nascimento do indivíduo; considera-se, então, que os vinte e nove anos de vida marcam o início de uma nova fase na vida de cada pessoa. A irmã de Renato, Carmem, também diz que essa música retrata os vinte e nove dias que passou num tratamento contra o alcoolismo, que teria um sentido maior com a letra, com a fase, com a simbologia do número em questão.
 
 
Análise e Interpretação: Eduardo Rezende



Músicas da Legião Urbana costumam sempre se apresentar em diversos modos, e isso ficou muito claro após tantas análises. Dividem em grupos de poéticas, românticas, críticas, profundas. Dentro delas, com simbolismos, sendo de letras melhores elaboradas e sem simbolismos, sendo geralmente cruas e diretas. 
"Vento no Litoral" nos leva à lembranças, e num ritmo tranquilizador, nos faz lembrar realmente de coisas boas e nos desprender de poucas coisas, tentando ver se em algum momento, nos sentimos como o eu-lírico da história.

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sempre imaginei que a primeira pessoa desta história se via perdida e sem respostas, e isso ficou claro, após analisar de forma tão profunda e fria esta música. 
O personagem se vê cansado - sentimentalmente e psicologicamente - e quer ir até a praia, sobre as pedras. Um possível lugar que o faz refletir, o faz pensar.

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Indo até a praia, com a força contra as ondas do mar, Renato sabe que faz tudo isso (essa vontade de "sumir"), para esquecer o fim de algo, um relacionamento, no caso, e deixa a onda o acertar, e sabe que o vento vai levando tudo embora. Essa parte me faz imaginar alguém indo o mais profundo que consegue dentro das acolhedoras ondas, com um vento de um céu cinza batendo ao rosto.

Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim...

Aqui, ele volta às pedras, e no alto, repara na linha do horizonte, se perdendo em seus pensamentos e sentimentos, lembrando dos planos dele com a terceira pessoa... De quando olhavam juntos na mesma direção, com os mesmos propósitos. E agora, que longe essa pessoa está, ele se vê perdido, guardando dela o retrato e a saudade mais bonita. Guardando ela, dentro dele.

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Nesta parte, ele percebe o erro que ambos cometeram, e pensar nisso o faz ver o lado profundo e doloroso que a imensidão do mar o provoca. Quando ele vê o mar, existe algo que diz que tudo vai dar certo, tudo irá melhorar, e que se entregar à ele é um erro fatal. Ele, o mar. Uma alusão aos problemas imensos, que conseguimos ainda assim superar, nadando de volta para o solo firme.

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

E após filosofar e refletir sobre o erro de querer continuar com seus problemas ou se jogar e acabar de uma vez por todas com eles, percebe que já que a outra pessoa não está com ele, o que pode fazer é cuidar de si.
Ele quer ser feliz, pelo menos da parte dele, cumprindo o que ambos prometeram, de estar-se e ficar-se bem.

Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Essa parte é mais poética, mas ainda assim, por se tratar de "mar" e "litoral", Renato coloca os cavalos-marinhos dentro da letra. O que poucos percebem, é que segundo relatos, o cavalo-marinho pode manter relação "afetiva" de macho e macho, sem cumprir a ordem de casal, talvez Renato comparasse a situação dele e da terceira pessoa com os cavalos-marinhos. Ou então, o outro fato, de que cavalos-marinhos são os poucos animais fiéis ao seus parceiros, fazendo portanto, a ironia do relacionamento ter-se acabado.

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

"Vento no Litoral" tem uma moral bastante explícita, e a história que se passa, sobre as entrelinhas de Renato, é de um relacionamento que acabou, e a pessoa se vê perdida, sem rumo ou esperança, e vai até a praia para poder, no vento do litoral, conseguir forças para superar de alguma forma a fase que vive. Em cima das pedras, pensando em suicídio, Renato se revigora e se torna de certa forma, um pouco melhor. Não é uma história triste, mas uma história de fim de relacionamento, onde o personagem sofre com a ausência de uma terceira pessoa.


Texto e análise: Eduardo Rezende



Creio que a parte mais interessante para quem está do lado de cá - escrevendo - é justamente ver a letra e pensar ou no momento que ela se adequou na tua vida, e tentar colocar isso dentro do teu ponto de vista para a análise e a própria interpretação, ou então nos momentos em que ela além de se adequar, foi clara para responder o que precisava ouvir, mascarar uma pessoa que se adequava à letra e circular um tempo, onde ela se mostra, e onde não para de ser tocada, que é o que acontece quando as músicas são de novas descobertas, como aconteceu com essa, há muitos e muitos anos atrás...
Apresentada como uma letra de Renato Russo, sendo a oitava faixa de "O Descobrimento do Brasil", a letra de "Vamos Fazer Um Filme", é muito curiosa por se tratar de temas tão específicos e tão bem escritos em uma forma muito mais do que simples por Renato. 

Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo,
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um.

Como a letra conta uma história, falarei da minha história diante dessa música tão fantástica.
A primeira pessoa se pega vendo um álbum de formatura, e dentro dele, após tantos rostos de pessoas do passado que fizeram parte de um tempo junto com ele, ele vê o rosto de uma terceira pessoa - ela, talvez - que o faz ver, sorrir e comparar aquela pessoa, daquele tempo, com a mesma atualmente... E se vê pensando em como o tempo passou, como aquela pessoa, um exemplo de bondade e respeito diante de um verdadeiro amor, talvez um amor-amizade nutrido pelo tempo e acabado pelo mesmo.
Renato então, mascarado como a primeira pessoa, faz desgeneralizar a ideia de que aquelas fotos não representam personagens, não representam o caráter das pessoas visto por outras, mas sim sentimentos próprios visto por quem os conhecessem, tirando o fato de personagens de uma fotografia, para gente de verdade, cuja imagem foi captada para perpetuar no tempo. 
"O fim do mundo", dito por Renato, caberia nas palavras dos Engenheiros, ao dizer que o "fim do mundo é todo o dia da semana", sendo portanto, o fim que Renato quis dizer, esse término deste mundo. O mundo da amizade de todos que ali estavam, de todas as pessoas do mesmo círculo, o fim do convívio com as pessoas deste mundo.

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme.

O Sistema - talvez de Ensino ou Educação, talvez social e escolar - é falho, porém a turma do convívio é legal. Viver, batalhar e lutar todos os dias da semana é duro, é corrido, e morrer é ainda pior, porque a dúvida nos persegue.
Quanto ao "te ver", Renato pode tanto se referir à fotografia 3x4 guardada quanto à pessoa em si, que é o que imagino. Penso que a pessoa se formou com ele e é do seu círculo de convívio, talvez até a "atual esposa", ou namorada, ou talvez até uma amiga que ele tem algo à mais. 

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

"Vamos fazer um filme", entra no mesmo sentido de "quero escrever um livro sobre..." quando você se depara com alguma situação interessante e pensa em como seria interessante se mais pessoas pudessem compartilhar os sentimentos de forma passiva, daquilo que você sentiu. Portanto, fazer um filme, neste momento, seria para mostrar a interessante história de uma turma, de um relacionamento, de um círculo de amizades e de um tempo "que não volta mais. Não volta". 

Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão:
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.

Essa parte sempre se mostrou enigmática...
Após tantas informações de não estar-se sozinho, Renato nos bombardeia com animais curiosos e de diversos seguimentos, pássaros, mamíferos, homem e mitológico, e diz precisar de "carinho, liberdade e respeito", assim como todos estes animais, e complementando o não estar-se sozinho e o "somos muito mais que isso".
Renato diz querer parar com a opressão, talvez dos sentimentos, e que quer ter a sua vida em paz.
Quer um milhão de amigos, quer irmãos e irmãs (talvez os próprios amigos íntimos, sem necessariamente, serem filhos da mesma mãe ou pai), e que deve de ser cisma sua, mas a única maneira que consegue enxergar sua vida de forma bonita e concreta, é justamente fantasiando e vendo a beleza de um musical dos anos 30, comparando-o com sua vida em um momento de uma depressão ou quedas.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, vamos Fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

Após esses últimos versos de repetição, podemos ter a plena certeza de que ele ainda nutre um amor passado.
Assim como vivia sua vida comparando-a com um musical dos anos 30, está "desatualizado" até para dizer que a ama! E eis que surge a crítica tão bem colocada... Apesar de não ter dito, sabia que naquele tempo, quando se amava ou sentia atração ou até mesmo afeto por alguma pessoa, se dizia "eu te amo", e ele, ao ver a realidade do atual meio social ou sistema, se vê embaraçado, ao ver que dizer que ama alguém é a coisa mais natural do mundo, mas ninguém sabe realmente o valor de se dizer, "eu te amo". 
Curioso mencionar também, ainda dentro deste ponto, o show em que após dizer sobre um personagem (quem sabe até desta turma tão defendida por ele), chamado Zé Chinelão, Renato pergunta à platéia como se diz "eu te amo", e após respostas eufóricas, dentre elas um "I love you", Renato responde, "Ah, pensei que era: vamos ficar um pouquinho gatinha?".
A sociedade e os sentimentos mudaram. As pessoas que os sentem, se é que sentem e demonstram, mal sabem seus valores. E Renato ainda diz que é preciso acreditar nesta geração perdida!


Análise e texto: Eduardo Rezende


Quase finalizando o primeiro álbum da Legião Urbana, que levaria o mesmo nome da banda, está uma das letras mais adolescentes e mais amorosas produzidas por toda a carreira da banda. Com a mesma perfeição de "Sete Cidades", "Por Enquanto", "Vento no Litoral" e "Hoje A Noite Não Tem Luar", a letra de "Teorema", entra na lista das letras românticas que a banda deixou ao lado de tantas letras críticas e muitas vezes pesadas. Mas essa, assim como outras poucas, consegue com tal leveza e desprovimento de simbolismos, passar um recado tão simples: um amor puro, cuja letra complementa a dita "Sete Cidades". O personagem busca estar com a terceira pessoa, mostrando que com a presença dela, ele consegue ser feliz. E de tal maneira, ele mostra e compara como é o seu amor... É uma letra de um ritmo rápido e de um Renato Russo se esgoelando em começo de carreira.

Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer.
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
Parece energia mas é só distorção
E parece que sempre termina
Mas não tem fim
Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim.

Um amor exagerado, comparado à teoremas sem explicações, comparado a energias, e negados para distorções, como se fossem feitos um ao outro, e ao mesmo tempo, distorcidos como opostos que se atraem... Talvez seja isso o amor, o complemento de iguais, e a troca de diferenças, onde os opostos se atraem, mas os iguais, formam algo único, um único e eterno - enquanto dura - amor. 


Análise e texto: Eduardo Rezende