"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!

Andrea Doria, do disco Dois, da Legião Urbana, é uma das minhas músicas preferidas, quando estou em dias de filosofar (se me entendem). Andrea Doria, é muito simbólica, e talvez por isso, seja difícil ter uma interpretação correta. Vou colocar abaixo, um pequeno resultado de pesquisas que encontrei, e após, a letra com interpretação:
Andrea Doria: é a idéia de um naufrágio, e é mesmo um navio naufragado. É um diálogo com alguém forte e que desabou , mas termina pra cima, porque a gente tem toda a sorte do mundo. Veio de uma conversa com a Luciana (mãe do Bi Ribeiro) e com a Tetê Tillet no Crepúsculo de Cubatão, que estavam deprimidas, e de uma idéia do Bonfá. A história do naufrágio é a seguinte: Andrea Doria - A Grande Dama Do Mar - era um grande barco super luxuoso (tipo um Titanic da vida) que, em 1951, fez sua viagem de estréia dirigindo-se a Nova Iorque. Entretanto, no meio da noite, Andrea Doria entrou numa densa neblina e o capitão, contrariando os procedimentos que deveria tomar nessa situação, continuou navegando em alta velocidade. Um outro barco (Stockholm) ia na mesma direção, porém em sentido contrário. O Stockholm ainda não tinha entrado na neblina quando o radar indicou um "objeto" próximo a ele. Como não enxergava nada à sua frente, continuou seu curso. O capitão do Andrea Doria achou que o sinal no radar fosse um barco pescador, já que não via luz alguma de outro barco e resolveu passar ao lado dele por puro exibicionismo... Quando os tripulantes dos dois navios viram o que estava acontecendo, tentaram evitar a tragédia, mas era tarde e "A Grande Dama Do Mar" acabou afundando, matando 52 pessoas.
A história do Navio, não se encaixa totalmente com a música, Renato deu entrevistas e diz pouco sobre a música, o que ele disse, é o que eu concordo, e segue-se abaixo, a sua interpretação:
Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achávamos
Tão certo...
Teríamos o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faríamos floresta do deserto
E diamantes de pedaços
De vidro...
A música retratam dois jovens. Uma mulher, amiga talvez, e o homem, Renato possivelmente.
A música mostra o dialogo desses jovens mostrando esse lado que muitos destes buscam: Mudar o mundo. Fazer a diferença. A primeira parte, nos mostra que foi fracasso o que ele queria, já a segunda, nos completa o pensamento primário, dizendo que eles queriam fazer "milagres", queriam fazer o que é impossível, pelo possível. Queriam fazer a diferença.
Mas percebo agora
Que o teu sorriso
Vem diferente
Quase parecendo te ferir...
Ele percebe indiferença, que há um sorriso que não é verdadeiro, não é um sorriso alegre, o que é diferente do que já foi um dia (tristeza talvez).
Não queria te ver assim
Quero a tua força
Como era antes
O que tens é só teu
E de nada vale fugir
E não sentir mais nada...
Ele diz aqui, como algo sincero, um pensamento amigável, que queria sua amiga como antes, queria ela forte. Diz que o que ela tem é somente dela, e não de outros, ou de uma sociedade. Aconselha ela à não fugir (da realidade talvez) e não sentir mais essa tristeza.
Às vezes parecia
Que era só improvisar
E o mundo então seria
Um livro aberto...
Aqui, vemos o despreparo que eles tinham para a sociedade quando crescessem.
Ele diz que sentia que era só improvisar e o mundo seria um livro aberto, ou seja, era somente fazer algo facil e não "reto" (combinado) que o mundo se abriria e se tornaria bom e perfeito...
Até chegar o dia
Em que tentamos ter demais
Vendendo fácil
O que não tinha preço...
Essa parte completa a anterior.
Eles se sentiram despreparados para o mundo, até chegar o dia em que tentaram ter mais, vendendo fácil, o que não tinha preço, mostrando o lado materialista do mundo. Quantas coisas não vendemos mesmo não tendo preço? Momentos, memórias... Apenas por termos? Isso envolve o capitalismo e o consumismo (temas alias, sempre abordados por Renato).
Eu sei é tudo sem sentido
Quero ter alguém
Com quem conversar
Alguém que depois
Não use o que eu disse
Contra mim...
O "tudo sem sentido" ao qual se refere aqui, deve ser o ato de ser materialista (completando a ideia anterior).
Nessa parte, mostra o quão difícil é encontrar alguém verdadeiro, nesse mundo influenciável que a mídia nos trouxe. "Quero ter alguém/Com quem conversar/Alguém que depois/Não use o que eu disse/Contra mim" Essa frase mostra o ponto de falsidade que ele vê nas pessoas, provavelmente para dizer isso, deve ter se desiludido com alguma "amizade". Renato tratou isso como "um mundo de hipocrisia, de mentira...".
Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui
E com a minha própria lei...
Essas palavras, provavelmente dela, mostra que ela já se acostumou com essa estrada que seguiu, que ela encara como negativa. Não será mais ferida talvez por já ter se acostumado, e deveria, afinal, essa estrada, ela mesma criou, afinal, seguia apenas as próprias leis (rumos).
Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como sei que tens também...
Aqui, como uma palavra de esperança e consolo, para ela, que sempre o ajudou (quando estava bem), ele diz que tem tudo o que ficou, e que tem sorte, assim como ela. Isso é interessante de ser dito. Sempre temos "sorte". Por mais negativa que a situação seja, sempre tem alguém pior que o pior.
(Coloquei esta versão, porque é uma das melhores apresentações).
Postado e blogado por: Eduardo Rezende
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
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