"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
"Angra dos Reis" é uma das músicas do terceiro disco da Legião Urbana (Faixa oito), de 78 à 87.
Como o álbum, Que Pais É Esse, a música traz muita crítica à situação existente, crítica essa, feita por Renato Russo ao Governo com a construção das usinas nucleares em Angra dos Reis. A música retrata muito a opinião do compositor e mostra muito o que a construção delas pode acarretar...
Deixa, se fosse sempre assim
Quente, deita aqui perto de mim
Tem dias, que tudo está em paz
E agora os dias são iguais..
Aqui ele retrata a situação como algo diferente. Ele diz que tem dias, que tudo está em paz, porém a situação no momento é que os dias estão iguais, já sem paz. Diz que a temperatura está elevada ("quente...").
Se fosse só sentir saudade
Mas tem sempre algo mais
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar...
A saudade tratada aqui, talvez seja a saudade de tempos de paz, como é dito logo atrás. Algo mais, talvez seja algo que possa encobrir essa saudade, como o dinheiro que vem nisso. Ou seja, o dinheiro pode encobrir os dias de não-paz.
A dor que dói no peito, pode ser tanto da doença, quanto da saudade em si. O "pode rir agora" creio que refere-se ao Governo, que faz tudo às nossas custas, sem saber o que acontece, e riem da situação, por não vivenciarem ela. Ele diz estar sozinho, por ver que ninguém o apoia contra a situação. O "roubar" obviamente se refere ao nosso governo.
Vamos brincar perto da usina
Deixa pra lá
A Angra é dos Reis
Por que se explicar
Se não existe perigo...
Ele diz para ir brincar perto da usina, e muda de ideia quando lembra-se que a Angra é dos Reis. Os Reis, refere-se aos homens de grande cargo. Eles mandam, e é feito. Eles podem, pois tem tanto a voz, quanto o dinheiro.
"Por que se explicar, se não existe perigo", simplesmente uma indireta: Pra que eles devem se explicar, se eles mesmos dizem que não há perigo? Eles sabem que há, e continuam fazendo a cabeça de muitos e muitos na nossa nação. Como se esperassem algo acontecer, pra depois falarem a solução ou pensar nela.
Senti teu coração perfeito
Batendo à toa e isso dói
Seja como for
É uma dor que dói no peito
Pode rir agora
Que estou sozinho
Mas não venha me roubar
Uh! Uh! Uh! Uh!...
Aqui ele diz que sentiu o coração da segunda pessoa, batendo, e isso é atoa, afinal, eles encaram as vidas ou mortes perto da usinas como atoa, algo que não tem importância, pois agem, exatamente assim.
Ele diz da dor no peito e novamente diz para que eles não o roubem. O que estão fazendo? Se não pegando dinheiro deles para construir o que os matará e ao mesmo tempo, roubando a vida deles, de pouco em pouco com a poluição da Usina? O "rir" que ele diz, é um modo de deboche. Como se ele soubesse que é essa a reação que eles tem.
Vai ver que não é nada disso
Vai ver que já não sei quem sou
Vai ver que nunca fui o mesmo
A culpa é toda sua e nunca foi...
Aqui é como se ele estivesse em dúvida do que realmente acontece. Vai ver, ele está errado, com seus pensamentos negativos sobre Angra. Ele está em dúvida com o que pensa e de como age. Diz que a culpa é toda sua (terceira pessoa ou talvez algum "rei" - como é citado) e que ao mesmo tempo, nunca foi, ou seja talvez ja tenha sido dele essa mudança de opinião e modo de agir.
Mesmo se as estrelas
Começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo
Em chamas!
Deixa, pra lá...
As estrelas caindo talvez seja uma menção ao fogo e explosões, talvez menção até as bombas, as mesmas estrelas que caem, são o motivo de luz, que queimam tudo ao redor.
E diz que o fim chegaria cedo, e ela (terceira pessoa) viria os corpos em chamas, não há resposta, não há menção, há apenas a mesma frase: "deixa pra lá" o que é exatamente o que vivemos. As tragédias acontecem, e ouvimos "deixa pra lá" por todos os cantos.
Quando as estrelas
Começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é
Que a gente vai fugir?
Aqui, ele já nos passa a certeza que as estrelas vão cair ("quando as estrelas..." e não: "mesmo que as estrelas...") e também deixa uma pergunta: "Quando elas (estrelas) começarem a cair, me diz pra onde é que agente vai fugir?" Isso é o que vivemos. Nas enchentes causadas por vários e vários motivos, o governo não faz nada, e quando a tragédia acontece, as pessoas não tem pra onde ir, afinal, nunca se prepararam para quando isso acontecesse, isso é exatamente o que acontece com enchentes com alagamentos, o que poderia acontecer com Angra, e o que aconteceu com outras usinas.
Analisado e escrito por: Eduardo Rezende
domingo, 18 de setembro de 2011
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