"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!

Do álbum "Dois" da Legião, "Daniel na Cova dos Leões" apresenta várias teorias dentre as mais famosas que refere-se ao uso de drogas e ao ato do sexo homossexual. Creio que refere-se ao segundo, uma vez que nas letras e nos livros é deixado claro o que Renato pensava sobre. É uma letra de um formato simples, porém provida de simbolismos e ideias que são encontradas nas entrelinhas.
Segue-se abaixo a letra e a interpretação:
Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.
Aqui, creio que Renato refere-se ao ato do sexo oral (nos três primeiros versos) e depois ao ato sexual em si, quando diz que sente o cheiro da terceira pessoa fica em seus braços e diz que achava que era muito e muito pouco. Entrando numa possível contradição ou então num possível complemento.
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Ele diz que fará do segredo deles, o dele. Provavelmente refere-se ao ato de terem feito sexo e que ele desafia o instinto dissonante - As dissonâncias são reconhecidas auditivamente como sons mais ou menos desagradáveis. Por outro lado, são as notas dissonantes as responsáveis por dar o colorido dos acordes, ou seja, seria um ato desagradável porém, algo de complemento.
Renato diz que a insegurança não o ataca quando erra, mostrando que é confiante no que faz, até nos erros, fala também que o medo que o parceiro tem, não faz da força dele confusão, e diz então, a frase que nos deixa claro (mais uma vez) que se trata de um relacionamento homossexual: “Teu corpo é meu espelho e em ti navego”, ou seja, o corpo dele, Renato, é igual ao corpo da pessoa com que transa.
Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.
Aqui, Renato deixa claro o que sente: Ele sente-se um barco a motor, e que insiste em usar os remos, ou seja, ele sente como algo fácil e rápido, mas que usa métodos complicados e difíceis (remar no caso), É como se ele fosse um barco a motor, um homossexual no caso, e insistisse em não ser, insistisse em ser o que não é, um barco com remos, o mesmo que remar contra a maré.
“É o mal que a água faz quando se afoga” refere-se ao mal que vem de nossos próprios erros, o mesmo como se ele fosse nadar e se afogasse. A vontade dele foi nadar, e a consequência, afogar-se. “E o Salva-vidas não está lá porque não vemos”, muitas vezes nosso salva vidas está próximo e nós não queremos enxergar sua presença, uma vez que acreditamos não ter saída, e então nos “afogamos” por não conseguir ver o “salva-vidas”
Interpretado e analisado por: Eduardo Rezende
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
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