Sendo do disco "As Quatro Estações" (quarto disco lançado), "Eu Era Um Lobisomem Juvenil" traz para o público o reflexo do tímido e inteligente Renato. É a faixa onde vemos parte de crítica, parte de história e é uma das quais eu acho mais interessante na parte do ritmo da música.
O título possivelmente, faz a referência ao Renato adolescente, aquele que por ser diferente era encarado como algum ser perigoso, ou então, até pelo fato de um lobisomem ter duas faces, e Renato conseguir ser tão multipolar em suas músicas, ou talvez até, pelo fato de um lobisomem ser uma lenda, e a lenda por sua vez, uma história antiga, fazendo do lobisomem, algo antepassado, que era como Renato se sentia em sua adolescência.

Luz e sentido e palavra, palavra
É que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando
Quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem
O que você me diz...

Aqui, Renato faz referência aos seus sentimentos. Creio que "palavra" seria algum sentimento.
Renato coloca sua crítica quando diz que faltou água e luz, e que fizeram "a festa" quando a luz voltou, aqui provavelmente, mostrando a crítica e logo depois, a parte que completa a primeira, quando ele diz que não fala como a terceira pessoa fala, mas vê bem o que ela diz. Que não concorda com o que é dito, mas consegue interpretar.

Se o mundo é mesmo
Parecido com o que vejo
Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito
E você estava
Esperando voar
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão...

Renato deixa a frase mais perfeita da música:
Quantas vezes nos deparamos com a realidade do mundo e não gostaríamos de fazer nossa própria realidade e nossos próprios momentos? Quantas vezes não queremos um mundo só do nosso jeito? E ai então, ele diz "E você estava esperando voar, mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?" o que realmente é verdade. Não podemos viver nas nuvens, nos sonhos, sem estarmos presos ao solo, à realidade.

O que sinto muitas vezes
Faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo
Que me explique porque é
Que não consigo ver sentido
No que sinto, que procuro
O que desejo e o que faz parte
Do meu mundo...

Aqui ele fala sobre o sentido e sobre a busca que ele procura nele, com seus desejos, com seus sentimentos e com seus próprios sonhos, complementando a parte anterior, quando diz "do meu mundo".

O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm
Suas próprias razões...

Aqui ele fala novamente com a terceira pessoa:
Provavelmente, ela se fui, e ele diz pra ela voltar, e fala sobre as razões. Renato não gostava de ser contrariado e não gostava de perder a razão, provavelmente, aqui ele fala sobre ele mesmo, mostrando o lado próprio na música.

Qual foi a semente
Que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante...

A semente, é o modo de dizer sobre o que é plantado é colhido.
Ele fala sobre crer que todo o dia será o dia mais importante, o mesmo que "viver um dia de cada vez" e também cita o fato de muita coisa acontecer ao mesmo tempo e nem ele entender o que está sendo feito.

Se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...

Aqui ele fala com a terceira pessoa, é bem claro:
Ele espera que a pessoa tenha confiança nele e que possa contar com ele.

Não digo nada
Espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou
Me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado
Por estar
Tão preocupado assim...

Aqui, ele deve falar sobre as conclusões e atos precipitados, uma vez que ele não diz nada e espera a confusão passar, mostra que está confuso e pensativo com o que foi dito sobre ele ficar tão preocupado com o fato dele próprio estar preocupado.

Mesmo se eu cantasse
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato...

Essa parte é bem complicada, e o "bicho do mato" é a única coisa com lógica que se encaixa perfeitamente no título da música. Ele mesmo cantando todas as canções do mundo, mesmo não estando tão preocupado, continuaria sendo um lobisomem juvenil. Uma lenda viva, em corpo de um jovem.

Mas se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...

Ou então não terás jamais
A chave do meu coração...

Aqui ele fala novamente sobre a confiança, mas completa dizendo que se não houver a confiança nele, a terceira pessoa, jamais conseguirá "a chave" de seu coração.


Análise e texto: Eduardo Rezende