Crítica, simples, bem estruturada, bem cantada e tocada, e sucesso. É tudo o que eu posso dizer da música que será interpretada. Fátima, foi escrita por Renato Russo e com sucesso na época do Aborto Elétrico. Cantada atualmente por Dinho, envolve-se o mito, de que Fátima foi escrita em cinco minutos, o que é admirável, uma vez que é uma das mais belas canções de Rock Nacional, nos anos 80, sendo crítica à sociedade e religião, além claro, do modo de vida de todos da época.
Segue-se a interpretação da música:

Vocês esperam uma intervenção divina
Mas não sabem que o tempo agora está contra vocês
Vocês se perdem no meio de tanto medo
De não conseguir dinheiro pra comprar sem se vender
E vocês armam seus esquemas ilusórios
Continuam só fingindo que o mundo ninguém fez
Mas acontece que tudo tem começo
Se começa um dia acaba, eu tenho pena de vocês

A música é uma crítica, podemos ver claramente o ponto que Renato quis ferir: A Religião Católica.
Como ele deixa claro, os homens esperam intervenção divina em seus atos, tem medo de tudo o que fazem, medo do tempo e até das consequências de atos... Medo de não ter dinheiro pra "comprar" sem vender-se (não necessariamente o corpo, mas a mente, o raciocínio, etc.).
Renato também deixa claro os esquemas ilusórios cometidos pelos pontos de crença e não-crença em Deus, e menciona o fato do mundo, ter sido feito por Ele ou não. E então, deixa os versos finais de crítica: Tudo o que vai, volta, e pelo que ele observa nos atos, ele tem pena dessas pessoas (o que acontecerá quando as consequências voltarem).

E as ameaças de ataque nuclear
Bombas de neutrons não foi Deus quem fez
Alguém, alguém um dia vai se vingar
Vocês são vermes, pensam que são reis
Não quero ser como vocês
Eu não preciso mais
Eu já sei o que eu tenho que saber
E agora tanto faz

Aqui, Renato menciona o fato de colocar o "Nome em vão", e de tudo ser culpa de "alguém" Maior. Renato fala do poder das pessoas que controlam tudo, e mostra o que muitos sentem: "ele sabe o que deve saber, e agora tanto faz", ou seja, ele sabe e tem certeza do que acredita, e tanto faz o que as pessoas "de poder" falam ou o modo com que agem.

Três crianças sem dinheiro e sem moral
Não ouviram a voz suave que era uma lágrima
E se esqueceram de avisar pra todo mundo
Ela talvez tivesse um nome e era: Fátima
E de repente o vinho virou água
E a ferida não cicatrizou
E o limpo se sujou
E no terceiro dia ninguém ressuscitou

Aqui, fica claro tudo na música.
Diz a história de Fátima, que três crianças pastoras, pobres camponesas, ouviram a voz de Nossa Senhora de Fátima, clamando em lágrimas, e ai, com toda a ironia, Renato coloca tudo em seus opostos: Nossa Senhora de Fátima NÃO teria falado nada entre lágrimas, as crianças NÃO teriam avisado a sociedade (o que é mentira, vemos então a ironia), e a água nunca tinha feito vinho, pois o vinho voltou à ser água, e a ferida NÃO cicatrizou e o que era sujo, não se limpou, pois o que era limpo, voltou à ser sujo, e no terceiro dia ninguém ressuscitou. Vemos aqui a ironia: Ela deu todos os recados, os fenômenos aconteceram, e mesmo assim, tudo continua como antes: as pessoas se vendem pra ter dinheiro, se perdem no medo, fazem ataques nucleares, esquemas ilusórios, e tantos outros modos que cegam a sociedade.

A música trata da religião em pontos positivo (lidando com Nossa Senhora de Fátima, como o apelo pelo modo correto de se viver), e o negativo, sendo a Religião uma das grandes causas que se encaixam perfeitamente na música.


Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende