"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Muitos Legionários, assim como eu, sempre dizem: "Cada música da Legião, é uma fase do Renato Russo e da Banda...". Definitivamente, "Índios" é uma das que mais podemos ter a plena certeza disso.
"Índios", escrita com aspas, para nos mostrar a boa e grande ironia inteléctica de Renato Russo, é uma obra que fala de falsos índios. Fala dos "índios brasileiros" e não dos índios das Índias, que é o ponto chave da crítica.
A música fala da simplicidade e do grande impacto que muitas vezes temos quando nos deparamos com o que é diferente. O modo crítico, o estranhismo, a vontade de querer entender... Tais modos são expressados por Renato e nos deixa transparecer (ou melhor, nos deixa a certeza) de muitas coisas e hábitos que não mudaram. O fanatismo religioso, a vontade de querer se sair bem, o estar "acima" e o estar "abaixo" moralmente, economicamente e culturalmente.
Desculpem-me o longo texto, mas "Índios" é sem dúvida, a rainha das mais brilhantes letras:
Aqui, Renato finaliza a letra dizendo novamente sobre os espelhos... Deram os espelhos aos índios em troca de tudo. Ou seja: Deram coisas simples e sem valor, só que de grande valor e curiosidade aos índios, e em troca, pegaram coisas sem valor para os índios e de extrema importância e interesse para os portugueses.
Creio que Renato finaliza a letra com "Tentei chorar e não consegui", querendo dizer, que mesmo cortando-se, mesmo não crendo nessa sociedade, ele continua tendo esperanças (tentando chorar), mas não consegue porque acaba, de certa forma, se conformando com essa situação. Ou até mesmo, finaliza com essa frase, mostrando que realmente, tem tanto nojo da sociedade, que acaba não conseguindo chorar por ela.
Espero que tenham gostado e peço as mais sinceras desculpas pela demora de postagem.
Meu obrigado, e muita Luz.
A música fala da simplicidade e do grande impacto que muitas vezes temos quando nos deparamos com o que é diferente. O modo crítico, o estranhismo, a vontade de querer entender... Tais modos são expressados por Renato e nos deixa transparecer (ou melhor, nos deixa a certeza) de muitas coisas e hábitos que não mudaram. O fanatismo religioso, a vontade de querer se sair bem, o estar "acima" e o estar "abaixo" moralmente, economicamente e culturalmente.
Desculpem-me o longo texto, mas "Índios" é sem dúvida, a rainha das mais brilhantes letras:
Quem me dera ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
Conseguiu me convencer que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
Essa parte, podemos observar que ele diz que gostaria de ter o ouro que lhe foi roubado por promessas mal-feitas, promessas essas, que foram conquistadas com falsas imagens de amizade. Não muito diferente do que foi feito com os índios, uma vez que vieram as Caravelas de Cabral, roubaram tudo o que era de nosso território mostrando um elo amigável, levando embora até o que eles não tinham, ou não tinham o conhecimento de que tinham.
Essa parte, podemos observar que ele diz que gostaria de ter o ouro que lhe foi roubado por promessas mal-feitas, promessas essas, que foram conquistadas com falsas imagens de amizade. Não muito diferente do que foi feito com os índios, uma vez que vieram as Caravelas de Cabral, roubaram tudo o que era de nosso território mostrando um elo amigável, levando embora até o que eles não tinham, ou não tinham o conhecimento de que tinham.
Quem me dera ao menos uma vez
Esquecer que acreditei que era por brincadeira
Que se cortava sempre um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda.
Agora, podemos analisar pelos dois lados:
Renato como um "simples" (índio) não crendo que se usava como pano de chão, linho nobre e pura seda pelos orgulhosos que queriam esbanjar poder em tudo, desde o nome até o "pano de chão", quanto podemos analisar pelo "lado nobre" (Português), não crendo que os índios eram tão simples e "ignorantes" (ao seu ponto de crer), de usar linho nobre e pura seda como pano de chão. Fica ao critério próprio, mas creio eu, que seja pelo "lado simples".
Quem me dera ao menos uma vez
Agora, podemos analisar pelos dois lados:
Renato como um "simples" (índio) não crendo que se usava como pano de chão, linho nobre e pura seda pelos orgulhosos que queriam esbanjar poder em tudo, desde o nome até o "pano de chão", quanto podemos analisar pelo "lado nobre" (Português), não crendo que os índios eram tão simples e "ignorantes" (ao seu ponto de crer), de usar linho nobre e pura seda como pano de chão. Fica ao critério próprio, mas creio eu, que seja pelo "lado simples".
Quem me dera ao menos uma vez
Explicar o que ninguém consegue entender
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.
Aqui, Renato diz uma coisa importantíssima para a sociedade.
O Futuro de hoje, não é o mesmo futuro de antigamente, pelo mesmo fato de que as pessoas, das mais simples às menos simples, são diferentes e pensam e agem diferentes daquela época.
Quem me dera ao menos uma vez
Aqui, Renato diz uma coisa importantíssima para a sociedade.
O Futuro de hoje, não é o mesmo futuro de antigamente, pelo mesmo fato de que as pessoas, das mais simples às menos simples, são diferentes e pensam e agem diferentes daquela época.
Quem me dera ao menos uma vez
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
Fala demais por não ter nada a dizer.
Essa é a parte que eu realmente acho que não necessita de interpretação, porque é tão clara e obvia que podemos tirar a conclusão rapidamente:
Quem tem tudo, quer tudo e quer sempre mais. Não convence com o seu muito, e sempre acha que o seu "muito" na verdade é pouco, e como se não bastasse querer ter tudo, por se achar sem nada, fala demais por não ter nada a dizer. Mentes vazias.
Quem me dera ao menos uma vez
Essa é a parte que eu realmente acho que não necessita de interpretação, porque é tão clara e obvia que podemos tirar a conclusão rapidamente:
Quem tem tudo, quer tudo e quer sempre mais. Não convence com o seu muito, e sempre acha que o seu "muito" na verdade é pouco, e como se não bastasse querer ter tudo, por se achar sem nada, fala demais por não ter nada a dizer. Mentes vazias.
Quem me dera ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.
Interessante como Renato consegue colocar críticas em cima de dados.
Como seria interessante o mais simples e os mais necessitados, fossem vistos como os mais importantes e tivessem tanto a prioridade na saúde, educação e trabalho, quanto em economia, preocupação governamental e social. É esse pensamento, o que move essa parte. Renato quer dizer de forma irônica, que isso seria importante, e que deram espelhos. Espelhos esses, os trocados por portugueses. Espelho, simples objeto de caravelas para homens se barbearem e se verem, por preciosidades brasileiras de seus diversos meios, vendendo assim, por preços absurdos as novidades do momento em Portugal.
Quem me dera ao menos uma vez
Interessante como Renato consegue colocar críticas em cima de dados.
Como seria interessante o mais simples e os mais necessitados, fossem vistos como os mais importantes e tivessem tanto a prioridade na saúde, educação e trabalho, quanto em economia, preocupação governamental e social. É esse pensamento, o que move essa parte. Renato quer dizer de forma irônica, que isso seria importante, e que deram espelhos. Espelhos esses, os trocados por portugueses. Espelho, simples objeto de caravelas para homens se barbearem e se verem, por preciosidades brasileiras de seus diversos meios, vendendo assim, por preços absurdos as novidades do momento em Portugal.
Quem me dera ao menos uma vez
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
Sua maldade, então, deixaram Deus tão triste.
Renato Russo nessa parte fez a polêmica que ele sempre tanto amou.
Religião e catequização aos índios, que até então acreditavam que trovões, chuvas e crescimentos de árvores e fartura nos rios, eram frutos de deuses naturais.
Como uma pessoa, que até então acreditava que Deus era árvore, rio, pedra, pode começar à crer que Deus ao mesmo tempo que é "um é três", e que esse mesmo Deus, foi morto por eles?
E então, Renato Russo mostra que o mesmo Deus que eles pregaram e continuaram pregando, é o mesmo Deus que ficou triste pela maldade deles, de cortar a inocência de seres que nada tinham culpa e que simplesmente viviam de seu modo próprio.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Renato Russo nessa parte fez a polêmica que ele sempre tanto amou.
Religião e catequização aos índios, que até então acreditavam que trovões, chuvas e crescimentos de árvores e fartura nos rios, eram frutos de deuses naturais.
Como uma pessoa, que até então acreditava que Deus era árvore, rio, pedra, pode começar à crer que Deus ao mesmo tempo que é "um é três", e que esse mesmo Deus, foi morto por eles?
E então, Renato Russo mostra que o mesmo Deus que eles pregaram e continuaram pregando, é o mesmo Deus que ficou triste pela maldade deles, de cortar a inocência de seres que nada tinham culpa e que simplesmente viviam de seu modo próprio.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.
Essa é a parte mais curiosa da música:
Fala de Renato para leitor/ouvinte.
Renato realmente quis o perigo quando teve essa possível e real ideia de suicídio cortando seus pulsos ("até sangrei sozinho..."), e a causa disso, creio eu, é pelo que a música o tempo todo diz.
Renato Russo sempre, em todos os discos, manteve-se preocupado com a sociedade. E embora essa música não esteja em um dos últimos discos da Legião, podemos ver que ele do inicio ao fim e entender que assim como ele devíamos nos preocupar mais com a sociedade e com os mais simples. Pessoas simples, que deveriam ser sempre as primeiras em pensamentos, pessoas essas, que não tem nada, e não buscam o que já tem. Vivem para viver, e não por viver.
E é só você que tem a cura pro meu vício
Fala de Renato para leitor/ouvinte.
Renato realmente quis o perigo quando teve essa possível e real ideia de suicídio cortando seus pulsos ("até sangrei sozinho..."), e a causa disso, creio eu, é pelo que a música o tempo todo diz.
Renato Russo sempre, em todos os discos, manteve-se preocupado com a sociedade. E embora essa música não esteja em um dos últimos discos da Legião, podemos ver que ele do inicio ao fim e entender que assim como ele devíamos nos preocupar mais com a sociedade e com os mais simples. Pessoas simples, que deveriam ser sempre as primeiras em pensamentos, pessoas essas, que não tem nada, e não buscam o que já tem. Vivem para viver, e não por viver.
E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Creio que aqui, Renato fala desse deus (sim, minúsculo por ser o Deus deles, não Tupã ou qualquer outro).
Quem entende a cura pro vício de insistir nessa saudade de tudo o que ainda não foi visto, é Deus. É Deus quem entende esse "insistir nessa saudade", essa "vontade de suicídio".
Quem me dera ao menos uma vez
Creio que aqui, Renato fala desse deus (sim, minúsculo por ser o Deus deles, não Tupã ou qualquer outro).
Quem entende a cura pro vício de insistir nessa saudade de tudo o que ainda não foi visto, é Deus. É Deus quem entende esse "insistir nessa saudade", essa "vontade de suicídio".
Quem me dera ao menos uma vez
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.
Essa parte, complementa a que disse anteriormente, sobre a simplicidade.
Renato Russo, abusa de sua grande ironia dizendo que seria bom, acreditar em tudo o que existe, acreditar que o mundo em que vivemos (até agora citados a injustiça, mentira, intolerância religiosa e interesse), acreditar no fato de todas as pessoas serem felizes. Seria ótimo se a sociedade não tivesse se fechado nesse mundo egoísta de pessoas que sempre se convencem que não tem o bastante.
Quem me dera ao menos uma vez
Essa parte, complementa a que disse anteriormente, sobre a simplicidade.
Renato Russo, abusa de sua grande ironia dizendo que seria bom, acreditar em tudo o que existe, acreditar que o mundo em que vivemos (até agora citados a injustiça, mentira, intolerância religiosa e interesse), acreditar no fato de todas as pessoas serem felizes. Seria ótimo se a sociedade não tivesse se fechado nesse mundo egoísta de pessoas que sempre se convencem que não tem o bastante.
Quem me dera ao menos uma vez
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos, obrigado.
Aqui, Renato fala de novo desse Deus. Porém, não é o mesmo Deus pregado pela Religião. É o Deus próprio, que não necessita de intolerâncias, brigas e igrejas. É o Deus que muitos esqueceram o nome e esqueceram que ele está em tudo, e mesmo assim nem lhe dizem obrigado. É o Deus que Renato acreditava. O Deus que não precisa da Religião pra existir. O Deus que é Deus, não o que é Igreja.
Quem me dera ao menos uma vez
Aqui, Renato fala de novo desse Deus. Porém, não é o mesmo Deus pregado pela Religião. É o Deus próprio, que não necessita de intolerâncias, brigas e igrejas. É o Deus que muitos esqueceram o nome e esqueceram que ele está em tudo, e mesmo assim nem lhe dizem obrigado. É o Deus que Renato acreditava. O Deus que não precisa da Religião pra existir. O Deus que é Deus, não o que é Igreja.
Quem me dera ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado por ser inocente.
É mostrado aqui a mais verdadeira história.
Como seria bom, uma das mais belas tribos, dos mais belos índios, de saberes naturais, de saberes culturais passados de gerações, de conhecimentos da mata, dos rios e das aves, não serem atacados por serem apenas inocentes. Não serem atacados por simplesmente, serem diferentes.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
É mostrado aqui a mais verdadeira história.
Como seria bom, uma das mais belas tribos, dos mais belos índios, de saberes naturais, de saberes culturais passados de gerações, de conhecimentos da mata, dos rios e das aves, não serem atacados por serem apenas inocentes. Não serem atacados por simplesmente, serem diferentes.
Eu quis o perigo e até sangrei sozinho
Entenda
Assim pude trazer você de volta pra mim
Quando descobri que é sempre só você
Que me entende do início ao fim.E é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.
Essa parte já foi analisada, mas acho importante dizer que eu creio que Renato tinha esperanças de algo melhor, porque ele esperava isso da sociedade e do país ("...O Brasil é o Pais do Futuro..." (1965 - Duas Tribos)), e creio que e essa saudade de tudo o que ainda não foi vista, é a esperança. É a crença do que existe agora, tendo em vista o futuro pela frente.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Essa parte já foi analisada, mas acho importante dizer que eu creio que Renato tinha esperanças de algo melhor, porque ele esperava isso da sociedade e do país ("...O Brasil é o Pais do Futuro..." (1965 - Duas Tribos)), e creio que e essa saudade de tudo o que ainda não foi vista, é a esperança. É a crença do que existe agora, tendo em vista o futuro pela frente.
Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.
Aqui, Renato finaliza a letra dizendo novamente sobre os espelhos... Deram os espelhos aos índios em troca de tudo. Ou seja: Deram coisas simples e sem valor, só que de grande valor e curiosidade aos índios, e em troca, pegaram coisas sem valor para os índios e de extrema importância e interesse para os portugueses.
Creio que Renato finaliza a letra com "Tentei chorar e não consegui", querendo dizer, que mesmo cortando-se, mesmo não crendo nessa sociedade, ele continua tendo esperanças (tentando chorar), mas não consegue porque acaba, de certa forma, se conformando com essa situação. Ou até mesmo, finaliza com essa frase, mostrando que realmente, tem tanto nojo da sociedade, que acaba não conseguindo chorar por ela.
Espero que tenham gostado e peço as mais sinceras desculpas pela demora de postagem.
Meu obrigado, e muita Luz.
Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende
domingo, 25 de março de 2012
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