"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Sendo muitas vezes comparada à "Daniel Na Cova Dos Leões", "Maurício" é uma das letras que exibe o amor de forma crítica não presente. O que ambas tem de sentido ou lógica? Dizem muitos legionários, que Maurício seria um suposto namorado do Renato, e que à ele foi feita a letra da música, mas isso nunca foi comprovado, nem em entrevistas, nem em seu livro. Enquanto a primeira seria a história de um amor, Maurício seria o nome de tal. Algo que fica claro em muitos escritos e relatos, é que Maurício, obviamente, seria uma letra bissexual. Nada diferente ou espantoso, uma vez que nesse mesmo álbum viria "Meninos e Meninas" sendo a música seguida de "Maurício".
Mas deixando tais paralelos de lado, "Maurício" é direta, bonita e simples. É apresentada em "As Quatro Estações" primeiramente, sendo a oitava faixa do álbum, e sendo apresentada novamente ao público, como a sexta faixa de "Músicas Para Acampamentos".
Já não sei dizer se ainda sei sentir
O meu coração já não me pertence
Já não quer mais me obedecer
Parece agora estar tão cansado quanto eu
Até pensei que era mais por não saber
Que ainda sou capaz de acreditar
Me sinto tão só
E dizem que a solidão até que me cai bem
A música fala de um amor que se foi. Um amor que é esperado pela parte do personagem.
Ele não sabe se ainda consegue sentir, seu coração já não lhe pertence, suas emoções e sensações, não são mais suas. O coração (emoções e sensações, como dito), já não lhe obedece, e parece agora, estar tão cansado quanto ele, cansado de sentir, de correr atrás, de esperar.
Ele pensa que era mais por não ter a plena noção de que era capaz de crer que um dia seu amor voltaria, ou não.
A letra é bem "visível", como podemos ver. Ela está relatando, sem a necessidade de uma interpretação crítica, sendo mais uma observação prática.
Todos lhe dizem, que tal solidão, essa solidão que ele sente, esse sentimento de espera, de um amor que se foi, e que talvez (o provável), não voltará lhe faz bem, que ele fica melhor sozinho, mas ele como podemos ver, apenas sente a solidão, mas não crê nela.
Às vezes faço planos
Às vezes quero ir
Pra algum país distante
Voltar a ser feliz
Renato, aqui, poderia dizer na parte amorosa:
"Às vezes faço planos, ideias, monto pensamentos e tenho desejos de ir pra algum lugar longe, esquecer o trabalho, esquecer a minha vida, e essa espera angustiante, e voltar a ser feliz!", que se encaixaria melhor (obviamente) na letra, mas como ele diz em uma entrevista em 86, um novo pensamento, eu acho necessário e interessante colocar tal ponto: "Maurício, fala sobre a solidão. Voltando à coisa de política, ela tem um verso assim: 'Às vezes faço planos/Às vezes quero ir/Pra algum país distante e voltar a ser feliz'".
Já não sei dizer o que aconteceu
Se tudo que sonhei foi mesmo um
sonho meu
Se meu desejo então já se realizou
O que fazer depois
Pra onde é que eu vou?
Eu vi você voltar pra mim (...)
Aqui, seria a continuação da parte anterior.
Ele não sabe o que aconteceu, se todos os momentos foram reais, se todas as ideias foram concretas. Ele não sabe se os sonhos foram dele, os planos, e se o seu próprio desejo se realizou ("Voltar a ser feliz" (?)), e então, ele nos deixa a ideia da espera, a ideia novamente, de tal esperança sufocante, esse male que o corrói por dentro: "O que fazer depois?" Como continuar, depois de ser abandonado? O que fazer depois de ser deixado? "Bem, a solidão me cai bem, todos dizem, mas mesmo assim, o que vou fazer?", ele continua deixando outra pergunta: "Pra onde é que eu vou?", e ainda falando em ir-vir, indo-vindo, Renato deixa uma resposta: "O que vou fazer depois? Pra onde que eu vou? Eu vi você voltar pra mim. Eu sei que você voltará".
Renato completa na entrevista de 86 que "a música termina com um fecho positivo", e imagino eu, seria essa a razão, essa ideia de volta, que ele fica e aguarda sozinho. Ele espera seu (sua) fiel chegar, mesmo abandonado, pra aí sim, ficar acompanhado, contrariando a sociedade, uma vez que a solidão lhe cai bem, o que poderia ser um ponto de vista preconceituoso, caso for levado em conta a ideia de ser um relacionamento homossexual, mas ai, seria outra história...
Escrito e Analisado por: Eduardo Rezende
sábado, 26 de maio de 2012
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