"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Para informações de introdução, acesse esse link que direcionará à Introdução de "Metal Contra As Nuvens".
A letra, como sabemos, é muito extensa, e como o blog segue apenas um tipo único de análise (colocando-se a letra e comentando, e analisando as letras) aproveitei que a letra já é dividida em quatro partes (notadas na letra pelos I, II, III, IV, e na música pela mudança de ritmo), analisarei com base nelas.
Espero que gostem, comentem e divulguem o blog.
Ele vive da pulsação de cada coração Legionário que ainda vive.
I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.
Em toda a música, vemos a presença do medievalismo. São mensagens de crítica carregada e escondida nas entrelinhas de uma música que fala de amor, que fala de conquista, que fala de vitória e honra.
"Metal Contra as Nuvens" é uma música que trata a Era Medieval, mas não se aprofunda, ficando apenas nas bordas, adentrando apenas outras mensagens, escondidas e de grande importância.
Renato começa dizendo que não é escravo de ninguém, que ninguém manda nele e que ele é dono de seu próprio território. Levando em conta a crítica podemos observar que ele em outras palavras, em todos esses versos poemáticos, mostra que não acata ordens, não obedece, que tem os seus valores.
Fatos interessantes que podem ser levados em conta é o fato dele mencionar o metal, o raio, o ouro etc. O metal até então não é especificado (ficará mais à frente), e ele menciona o brasão (utilizado na época como identificação de cada família), além de mencionar outros objetos e símbolos da época medieval. A lua, a estrela, que hoje são nada mais do que normais, mas no período, de extrema importância simbólica e admirável.
II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...
Aqui a parte crítica é mais forte, e sem tantos enfeites. O máximo que temos é a troca de símbolos como um meio de ocultar a a crítica, mas ainda assim, é notável.
Sendo bem direto, ele quase acreditou nas promessas de outra pessoa, e quando deu por si, notou que só havia fome e destruição, ele perdeu todos os bens, e repete, que QUASE acreditou. Isso podemos levar de forma direta, o bom exemplo que o governo nos dá. Collor (presidente da época) com seu rosto e palavras simpáticas fez com que todos acreditassem que ele seria O presidente, mas isso foi provado que não seria, quando todos deram por si e viram que QUASE acreditaram em tais promessas... Quase acreditaram que o rosto e as palavras poderiam mudar algo, e não roubar e tomar o que é deles.
Eis então, a parte que ele dá a resposta.
Existem os tolos, existe o ladrão. Os tolos votam, e o ladrão rouba o que é dos tolos, ele se alimenta e vive do que é roubo, e como há os que não confiam nesse ladrão disfarçado de boa-índole, guardam os tesouros próprios, caso ele esteja mentindo (como esteve).
O "sopro do dragão" que é mencionado e repetido na música, pode ser levado como a arma do inimigo. O Dragão na música seria o sistema errôneo e o governo corrupto, e sua arma seria tal sopro. Assim como a espada seria do guerreiro.
III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.
A primeira parte diz respeito aos sentimentos de todos e aos atos de todos. A verdade assombra a sociedade, o descaso de um pelo outro condena, e a estupidez é o ponto X, pois é ela que destrói o meio em que o homem vive. Ele vê tudo o que se foi, sabe que muita coisa não existe mais, e sente os sentidos dormentes, o corpo quer lutar, e alma entende o motivo e o desejo de lutar, essa é a terra-de-ninguém! Uma terra de disputa constante onde ninguém quer governar, ele sabe que deve resistir, mas seu corpo quer e sua alma ainda entende. Ele quer a espada em suas mãos. Ele quer o motivo do título da música. Ele quer ver o seu metal (sua espada) contra as nuvens. Pois é com a espada erguida, que o guerreiro se mostra vencedor, e é nesse momento que ele não se entrega sem lutar, ele ainda tem coração, não se rende, e sabe que o inimigo cairá.
IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.
A música trata o tempo todo da vitória. Na simbologia à primeira vista, uma vitória de um guerreiro com território invadido, um guerreiro que quer justiça, que sabe seus limites, mas insiste e consegue ganhar. Já nas entrelinhas, não vemos tanta mudança. É um povo guerreiro, que tem seu território constantemente governado por pessoas erradas. É um povo que clama e corre por (e da) justiça, que sabe os próprios limites e deficiências, mas insiste em lutar contra esse dragão! Essa besta-fera que se chama injustiça, ignorância e todas as outras filhas e filhos de um governo corrupto.
"Tudo passa, tudo passará" são as palavras de esperança de tempos melhores, que Renato nos deixa complementando essa linda música, com versos simples e diretos. Até nossa história chegar ao fim, teremos coisas pra contar, e até lá, amos viver incansavelmente um dia de cada vez, pois há ainda muito o que fazer, não devemos olhar pra trás pra nos arrependermos ou por saudade. Toda a mudança é necessária. O mundo começa agora, quando a mudança chega, começa no outro dia, que é um dia diferente... E nós apenas começamos, cada dia de cada vez, como guerreiros que buscam ter seus próprios metais, contra as nuvens, derrotando o dragão dos medos e modos próprios.
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Análise e interpretação: Eduardo Rezende
quarta-feira, 6 de junho de 2012
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