Uma coisa curiosa que já citei várias vezes nas interpretações, é o modo com que Renato sempre colocou nas músicas da Legião um simbolismo próprio mudando ou fazendo um significado pra palavra. Um exemplo disso, é o termo "Sol", que junto à essa música, em 'Mais Uma Vez', a mesma palavra tem o mesmo sentido.

Em Quando O Sol Bater na Janela do Teu Quarto, podemos observar a esperança de um modo diferente, a crítica sob um outro olhar e analisar o comportamento de uma geração.


Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Renato, nessa parte, quer dizer que quando o "sol", chegar e se mostrar, deve-se lembrar que existe apenas um caminho. Sempre encarei essa parte como: Quando as oportunidades chegarem e houver opções, devemos escolher apenas um caminho bom, o caminho do Sol. 

Por que esperar
Se podemos começar
Tudo de novo?
Agora mesmo,

Essa parte complementa a anterior. Por que esperar as oportunidades e os caminhos se abrirem, se podemos sempre recomeçar? Imagino que essa parte seja como se nós tivéssemos a obrigação de fazer com nossas próprias mãos as oportunidades, começando, recomeçando e começando novamente: devemos começar tudo de novo sempre, agora mesmo. 

A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance,
O sol nasce pra todos,
Só não sabe quem não quer,

Essa parte mostra que mesmo em um terreno corroído, devemos ser puros e melhores.
A humanidade é desumana (um ótimo jogo de moral e de poesia com as palavras), mas mesmo assim, ainda temos chance, pois o Sol nasce pra todos (se referindo tanto às oportunidades - citadas no começo da análise - quanto o sol de um novo dia), e disso só não sabe quem não se interessa por mudanças, quem vive e prefere a mesmice e a vida cômoda. 

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só,

Renato repete novamente os versos, de que quando o sol bater no quarto (se referindo acho ao fato do quarto ser o lugar de descanso, do vazio e da vida cotidiana), é para se lembrar e ver que o caminho é um só: um caminho paralelo dessa humanidade desumana. 

Até bem pouco tempo atrás,
Poderíamos mudar o mundo,
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor,
E toda dor vem do desejo,
De não sentimos dor,

Até bem pouco tempo atrás, a sociedade era mais pura e conseguiríamos mudar o mundo, e hoje essa coragem foi roubada pelo individualismo, pela competição, pela mídia alienadora e a desumanização. Tudo é dor, e toda a dor vem do desejo de não sentirmos dor.
Tudo é errado, e tudo o que é errado vem da vontade de sermos puros. 

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só

Devemos sempre nos lembrar: Quando são dadas as oportunidades, e quando o sol bate em nossa janela, nos convidando para um novo dia, devemos fazer a diferença não só para nós mesmos, mas para um meio social e para um mundo que está carente de mentes e vozes que conseguirão mudar.
O caminho é um só, somos lembrados constantemente à cada novo dia, com cada novo amanhecer  O caminho é a evolução, e a evolução é contínua. 



Análise e interpretação: Eduardo Rezende