"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Muito poética, e muitas vezes ignorada por não termos a vontade e tempo de analisá-la, Sereníssima é apresentada pela primeira vez em V - o quinto álbum da Legião Urbana, sendo a faixa 6 e reapresentada no Acústico MTV também como a faixa seis. É uma letra que realmente me deu certo trabalho para uma análise fria, porque sempre prefiro músicas críticas, e Legião Urbana nos abre um leque fantástico de letras simbólicas que atiram para todos os lados, e dentro da parte romântica, abre o espaço para o amor para elas, eles, para a razão, para a desvalorização ou para o social e o poético, que junta tudo isso, e mais um pouco: Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.
Nessa parte, podemos ver como Renato coloca o ser humano no sentido afetivo. Ele se coloca como um animal que se apega facilmente ao que lhe atrai, ora, o homem seria como um animal, que se coloca sob o instinto, que lhe faz ser atraído por alguém.
Sobre essa questão, é colocado o ponto: Renato diz que nem tudo o que a parceira (poderíamos colocar ela, ou ele em certas situações), gostaria que ele fizesse, ele gostaria de fazer, e que se algo assim acontecesse, ele traria em jogo, a lei do retorno. Ele "acha" (talvez até ironicamente), o que a terceira pessoa gostaria de lhe dizer, mas existem outros pontos de vista, e outros atos, se ainda estivermos falando de afeto.
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a ideia, mas você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de ideia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.
Esse conjunto de versos tão simples, são realmente fantásticos.
Renato mostra um ponto interessante, somos o conjunto de sentimentos que ora pendulam para um lado, ora ao outro. Somos uma balança que conforme os pesos de nossos atos, devem pendular à certo lado. Por justamente cortejar a insanidade, ou seja, seguir e ser agraciado pela falta de bom senso, a falta de um bom senso, que o faz crer que tudo está perdido no mundo, mas que existem possibilidades de melhorá-lo, um mundo físico ou sentimental, criado por duas pessoas (como no caso), duas pessoas que tinham uma ideia e que ela, a companheira, mudou os planos, e que depois, adequaram a ideia em um plano, e então ela mudou de ideia. Imagino sempre essa fase, como um pré-casamento. Eles tinham a ideia de se casar, mas ela mudou os planos, como por exemplo, não querer se casar logo, e que quando decidiram se casar futuramente, ela mudou a ideia, para não se casar, pode não ser isso, mas essa frase me remete à crer em uma cena parecida, mas afinal, já passou, quem sabe outro dia, ela muda de ideia novamente e volta à crer na minha falta de bom senso?
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.
Essa parte também é algo muito interessante de se analisar ao lado romântico da coisa, acendendo uma vela sobre uma mesa de questões escritas por Renato:
Antes ele sonhava com a pessoa, agora ele já não dorme, justamente por pensar na pessoa e perder seu sono buscando ela em pensamentos, coloca esses atos, como uma competição de quem busca mais o outro, ela buscando-o em sonhos e pensamentos, ou ele desenterrando-a de seus sentimentos para estarem juntos quando não fisicamente.
Os dois últimos versos se referem à um pensamento de rir na cara e da cara dos outros, o que ninguém percebe, é o que todo mundo sabe, o que ninguém nota, é o que todos justamente já sabem. Ninguém nota que ambos se gostam e se querem, e justamente compartilham amor em atos e sentimentos, e para a sociedade, Renato mostra um lado irônico, dizendo que não entende o terrorismo, pois eles falavam de amizade. Nas entrelinhas, a amizade seria o sentimento que o faz perder o sono, todas as noites.
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho mas
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.
Renato aqui, volta à disputa por quem persiste mais no amor de ambos, que a sociedade julga como uma amizade (lembrando que uso o ela mas que podemos nos referir ao ele).
Ele diz que não está mais interessado no que sente, e que não acredita em nada além do que duvida, ou seja, ele não tem certeza de que está realmente não mais interessado na pessoa, a sua dúvida o faz ver que não acredita em nada além do seu sentimento duvidoso. Ela espera as respostas que ele não tem, seja para o sentimento de ambos, com ela querendo atitudes dele ou por palavras, e que ele não brigará por isso, prefere ficar no comodismo... Ele espera atitudes dela, e ela espera atitudes dele, e disso ele não duvida.
Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo.
Conseguimos entender o racional para algo totalmente sentimental: a falta de lógica!
Renato compara seus sentimentos à uma laranjeira, cujas folhas são verdes, e ele as enxerga prateadas. Para muitos, algo bobo, para um lado nas entrelinhas, algo de reflexo romântico. Ele enxerga tudo de uma forma brilhante e mais poética. A causa do seu sentimento que seria comum, e que ele enxerga de uma forma diferente e romântica, é a causa da lua, na madrugada. Ele perde sua madrugada admirando a lua, então compara seu amor, e vê que a causa (novamente) da perda do seu sono, se relaciona ao modo com que enxerga o afeto à terceira pessoa.
De uma forma engraçada, ele mostra que fica confuso diante disso. Tem um sorriso bobo, desajeitado e chato como um soluço, e ele sorri, contente, admirando um amor passar por ele, fazendo de horas, parecerem minutos, enquanto o caos segue em frente, com toda a calma do mundo...
sábado, 24 de novembro de 2012
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