"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Vinda do "As Quatro Estações", é apresentado na Faixa de número 10 uma das mais belas canções de amor que Renato Russo já conseguiu escrever. Não se prendendo à metáforas nem à enigmas ou simbolismos, Renato foi direto ao escrever um poema romântico que nos passa a ideia perfeita de um primeiro amor ou de lembranças fiéis de um tempo que não voltará. Renato foi perfeito ao conseguir descrever um sentimento possessivo que temos aos outros e ao egocentrismo humano ao mostrar que sempre nos colocamos sobre os outros como se o resto do mundo nos devesse momentos ou palavras que sentimos a devida falta.
"Sete Cidades" é tão clara, tão simples e tão perfeito, e suas várias versões conseguem se apresentar cada vez, uma melhor que a outra.
Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
A primeira parte é constituída da ideia citada anteriormente.
O desejo possessivo o faz ver que ele já se acostumou com a voz, o rosto e o olhar dessa terceira pessoa, e que agora, se sente partido em uma parte que não fica presente quando ela (pessoa) não está presente. A outra parte, é a outra pessoa, e ele procura por ela.
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando ela não está com ele, ele se sente incompleto - como dito - e sente falta de si mesmo, e a falta do corpo da outra pessoa junto ao dele, como se eles se encaixassem e formassem algo uno.
Renato compara o seu coração à algo tosco e pobre, por ele ainda não "se sentir maduro", e não saber os caminhos do mundo. Essa parte, da maturidade do sentimento, se refere à maturidade de se sentir sozinho quando não está completo. O sentimento dele o faz sentir bobo, quando se depara sozinho e vê que cada um tem sua vida, mas que ele gostaria de estar 24 horas por dia com sua pessoa amada.
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo
E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui
Meu espírito se perde, voa longe
Renato mostra o quanto a terceira pessoa o representa como um porto firme e seguro para seus sentimentos pessimistas e sua falta de coragem. Ela quando ausente, o mostra o quão fraco ele é, pois é ai que ele vê que tem medo até de si mesmo, e que a falta da presença dela, o deixa inseguro e com sede da presença dela.
A música é finalizada de uma forma muito clara: Renato ansioso, à deseja por todos os momentos. Ambos já fizeram promessas demais juntos, sejam elas de confiança em um relacionamento, sejam elas de um possível "amor eterno".
Ele já se acostumou com a voz dela, e quando está com ela, se sente em paz.
A presença dela o faz se sentir firme, preso em si... e em sua ausência, tanto a confiança, quanto a saudade (nem que for por pouco tempo) ou até suas lembranças, voam longe, longe, longe...
"Sete Cidades fala do amor carnal. Sobre quem ama quem não está perto. É como se faltasse um pedaço", 1990, Renato Russo
Análise e texto: Eduardo Rezende
terça-feira, 27 de novembro de 2012
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