"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
"Era na época daquela novela (Vamp), que estava fazendo sucesso - acho que ainda está fazendo sucesso, porque eles alongaram. Tem essa crise no país, e tudo. Então, a gente fez a música. Essa foi a primeira letra. Bonfá fez a música, eu fiz a letra, e a gente juntou tudo. E era pra ser sobre a TV". - 1992.
O Teatro dos Vampiros (ou só apenas Teatro dos Vampiros), é apresentada no quinto álbum da Legião Urbana, V, em 1991. É uma letra um pouco simples, muito simbólica e humana e como a análise própria que se segue, é feita por alguém que infelizmente não teve conhecimentos de até que ponto a letra se cruza com a base da história de Vamp, analisei friamente para a parte social-política-humana.
Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto.
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Imagino essa parte, algo reflexivo e próprio. Imagino que Renato neste ponto, quis se referir à ele e a tantos outros que sentem o mesmo que ele: sentem-se sozinhos, e que precisam de atenção. Não que não a tenham, mas que necessitam de alguém em algum momento. Diz que não sabe quem é e que não gosta do que desconfia do que seja. Não levo isso por um lado sexual, mas imagino que em Teatro dos Vampiros, é um conflito pessoal de existência. E que nesses dias tão estranhos, "fica poeira se escondendo pelos cantos", sempre levei esse lado pensando que ele reparava em pequenas coisas desnecessárias, erros próprios, desnecessários, mas algo além, ainda me perturba, completando que essas poeiras são problemas internos, que se escondem em cantos de seus sentimentos.
Esse é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos.
De uma forma muito curiosa, Renato coloca uma crítica social nesses versos.
Diz de uma foram um tanto quanto sincera e em tom até "conformado", de que o nosso mundo espera atitudes que o que é demais, nunca é o bastante, que sempre esperamos mais do que já é muito, e que os atos errôneos, cometidos por pessoas humanas, como nós, são julgados e condenados, sem jamais darmos uma segunda chance para as pessoas. Renato compara tais atos como assasinatos.
Os assassinos estão livres, matamos pessoas a cada condenação, e as pessoas mataram, estão presas, é um paralelo de atos, como se os reais assassinos fossem os humanos que julgam humanos quando erram, fazendo então, um novo erro.
Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas.
Essa parte, julgo que é de caráter jovem, e a falta de oportunidades.
Eles querem sair, mas não têm dinheiro, os amigos estão todos procurando emprego. Se procuram, é porque não têm, e se não tem oportunidades de emprego, é porque não tem economia, se não tem economia, não tem a busca para compra... Ou seja, um fato acarreta o outro que desmorona um sistema, voltamos sim a viver como há dez anos atrás - ainda hoje, como há anos e anos atrás - pois o tempo passa e os fracassos históricos permanecem nos deixando de herança péssimas conquistas e derrotas que nos desmoronam internacionalmente.
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir.
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir...
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar.
Os jovens voltam em ação novamente. Desta vez Renato não desabafa, mas tenta conencer uma terceira pessoa à sair, ele só quer se divertir. Quer esquecer de seus problemas e ter algum lugar pra ir.
Já "entregaram o alvo e a artilharia", desistiram da caça, e do caçador, deixaram seus problemas de lado, compararam suas vidas, e esperam que um dia possam se encontrar, sejam por semelhanças encontradas, seja por diferenças que ambos tenham.
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Podemos unir esses dois momentos e analisar como o conhecimento de uma terceira pessoa e como as situações, nos exigem uma força maior e realizações maiores para nós mesmos. Quando ele se viu diante de um mundo, completamente só, a terceira pessoa lhe apareceu, e ele se assustou, ao ver que não é perfeito, ou completamente independente, essa parte não é crítica, pelo contrário, é para nos mostrar que quando imaginamos que estamos sós, estamos acompanhados, e que quando estamos acompanhados, podemos estar sozinhos.
A outra parte, o segundo momento, Renato se refere aos próprios defeitos, e que o real valor que nós temos, nunca é visto, e que as aparências falam mais alto e esquecemos os nossos ideais e sentimentos em uma sociedade fria que se importa com o exterior, de pensar nisso tudo, ele, homem feito, teve medo, refletiu, e não conseguiu dormir.
Vamos sair, mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir.
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir...
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas...
E mesmo assim não tenho pena de ninguém...
Essa parte se repete, e novamente faço as mesmas palavras:
O tempo passa, e nada muda. Isso pode ser levado pro lado político e econômico, como citei, mas podemos também levar para diversos lados, inclusive o caráter próprio, como muitas vezes o tempo, que é a razão da evolução, passa e muitos continuam empacados em situações.
A ultima parte, troca-se de frase. Compararam as vidas, e nesse momento, imagino que não seja mais a comparação com a terceira pessoa, mas com o mundo todo. Quando você compara seus problemas com o mundo... e de repente não tem pena de ninguém. Cada um tem seu caminho, cada um tem seu problema, e devem resolver todos eles, cuidando do que semeou, e claro, arcando com suas consequências. Frieza, sinceridade? Talvez, mas pra um gênio como Renato, o individualismo social, onde ainda um mundo pensa que a primeira vez é sempre a última chance, não se deve ter pena de ninguém, pois todos erram, mas isso não é levado em conta, quando não somos nós os seres errantes e imperfeitos que são julgados.
Análise e texto: Eduardo Rezende.
domingo, 9 de dezembro de 2012
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