Quase finalizando o primeiro álbum da Legião Urbana, que levaria o mesmo nome da banda, está uma das letras mais adolescentes e mais amorosas produzidas por toda a carreira da banda. Com a mesma perfeição de "Sete Cidades", "Por Enquanto", "Vento no Litoral" e "Hoje A Noite Não Tem Luar", a letra de "Teorema", entra na lista das letras românticas que a banda deixou ao lado de tantas letras críticas e muitas vezes pesadas. Mas essa, assim como outras poucas, consegue com tal leveza e desprovimento de simbolismos, passar um recado tão simples: um amor puro, cuja letra complementa a dita "Sete Cidades". O personagem busca estar com a terceira pessoa, mostrando que com a presença dela, ele consegue ser feliz. E de tal maneira, ele mostra e compara como é o seu amor... É uma letra de um ritmo rápido e de um Renato Russo se esgoelando em começo de carreira.

Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer.
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
Parece energia mas é só distorção
E parece que sempre termina
Mas não tem fim
Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim.

Um amor exagerado, comparado à teoremas sem explicações, comparado a energias, e negados para distorções, como se fossem feitos um ao outro, e ao mesmo tempo, distorcidos como opostos que se atraem... Talvez seja isso o amor, o complemento de iguais, e a troca de diferenças, onde os opostos se atraem, mas os iguais, formam algo único, um único e eterno - enquanto dura - amor. 


Análise e texto: Eduardo Rezende