"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Músicas da Legião Urbana costumam sempre se apresentar em diversos modos, e isso ficou muito claro após tantas análises. Dividem em grupos de poéticas, românticas, críticas, profundas. Dentro delas, com simbolismos, sendo de letras melhores elaboradas e sem simbolismos, sendo geralmente cruas e diretas.
"Vento no Litoral" nos leva à lembranças, e num ritmo tranquilizador, nos faz lembrar realmente de coisas boas e nos desprender de poucas coisas, tentando ver se em algum momento, nos sentimos como o eu-lírico da história.
De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sempre imaginei que a primeira pessoa desta história se via perdida e sem respostas, e isso ficou claro, após analisar de forma tão profunda e fria esta música.
O personagem se vê cansado - sentimentalmente e psicologicamente - e quer ir até a praia, sobre as pedras. Um possível lugar que o faz refletir, o faz pensar.
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
Indo até a praia, com a força contra as ondas do mar, Renato sabe que faz tudo isso (essa vontade de "sumir"), para esquecer o fim de algo, um relacionamento, no caso, e deixa a onda o acertar, e sabe que o vento vai levando tudo embora. Essa parte me faz imaginar alguém indo o mais profundo que consegue dentro das acolhedoras ondas, com um vento de um céu cinza batendo ao rosto.
Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim...
Aqui, ele volta às pedras, e no alto, repara na linha do horizonte, se perdendo em seus pensamentos e sentimentos, lembrando dos planos dele com a terceira pessoa... De quando olhavam juntos na mesma direção, com os mesmos propósitos. E agora, que longe essa pessoa está, ele se vê perdido, guardando dela o retrato e a saudade mais bonita. Guardando ela, dentro dele.
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...
Nesta parte, ele percebe o erro que ambos cometeram, e pensar nisso o faz ver o lado profundo e doloroso que a imensidão do mar o provoca. Quando ele vê o mar, existe algo que diz que tudo vai dar certo, tudo irá melhorar, e que se entregar à ele é um erro fatal. Ele, o mar. Uma alusão aos problemas imensos, que conseguimos ainda assim superar, nadando de volta para o solo firme.
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...
E após filosofar e refletir sobre o erro de querer continuar com seus problemas ou se jogar e acabar de uma vez por todas com eles, percebe que já que a outra pessoa não está com ele, o que pode fazer é cuidar de si.
Ele quer ser feliz, pelo menos da parte dele, cumprindo o que ambos prometeram, de estar-se e ficar-se bem.
Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...
Essa parte é mais poética, mas ainda assim, por se tratar de "mar" e "litoral", Renato coloca os cavalos-marinhos dentro da letra. O que poucos percebem, é que segundo relatos, o cavalo-marinho pode manter relação "afetiva" de macho e macho, sem cumprir a ordem de casal, talvez Renato comparasse a situação dele e da terceira pessoa com os cavalos-marinhos. Ou então, o outro fato, de que cavalos-marinhos são os poucos animais fiéis ao seus parceiros, fazendo portanto, a ironia do relacionamento ter-se acabado.
Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...
"Vento no Litoral" tem uma moral bastante explícita, e a história que se passa, sobre as entrelinhas de Renato, é de um relacionamento que acabou, e a pessoa se vê perdida, sem rumo ou esperança, e vai até a praia para poder, no vento do litoral, conseguir forças para superar de alguma forma a fase que vive. Em cima das pedras, pensando em suicídio, Renato se revigora e se torna de certa forma, um pouco melhor. Não é uma história triste, mas uma história de fim de relacionamento, onde o personagem sofre com a ausência de uma terceira pessoa.
Texto e análise: Eduardo Rezende
sábado, 12 de janeiro de 2013
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