"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Agora que já não preciso me prender à análises tão diretas, farei de um modo diferente as interpretações que aqui quero exibir. Serão sempre modificados os autores, cantores e bandas e as músicas irão variar bastante e claro, serão colocadas de acordo com a disponibilidade do meu tempo (que neste mês de fevereiro acabou se tornando escasso e corrido!).
Lembro quando apresentei um trabalho na aula de arte em que deveríamos pegar um poema e fazer uma apresentação. Fugi! Rebelde e imaturo! Escolhi "Roda Viva", de Chico Buarque de Holanda para apresentar prum grupo de mais de trinta pessoas acompanhado de outras duas pessoas.
A escolha por essa obra foi da mais sincera e repugnante adoção para fugir dos parâmetros que outros poemas seriam estruturados. Escolhi Roda Viva pela história, pela cultura. Escolhi Roda Viva por sempre querer ter batalhado contra ela!
Chico inicia sua música dizendo que tem dias que ele (de uma forma em "a gente", como parte de um todo), se sente como quem partiu ou morreu, por justamente estar estancado - parado, deixar de correr - ou então pelo mundo que cresceu. Ele deixou de se sentir vivo muitas vezes, um sentimento de frieza o bate por ver que a sociedade está estancada e que o mundo cresceu - de uma forma tanto positiva quanto negativa.
A "roda-viva" entra na história quando dizem que querem ter seu próprio destino para mandar e voz ativa, mas eis que entra a roda-viva e leva todos os sentimentos de liberdade pra lá... "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração".
Entre resistir, ir contra a corrente, cultivar roseiras, a roda viva está presente e estraga tudo. Estraga por saber que há quem resiste ao sistema, estraga por saber que há quem queira ir contra isso tudo, que cultiva roseiras, que cultiva ideias!
A roda da saia mulata não quer mais rodar, a roda de samba já não existe e não há pra quem fazer serenata, porque todos estão mudos, todos sumiram, todos se esconderam da roda-viva...
... Se esconderam porque tomam a viola às mãos tomando a iniciativa de cantar e bradar aos quatro ventos as maldades do Sistema, a opressão e por uma minoria que luta por seus direitos... Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá.
O samba que cria vozes para ouvintes curiosos e fartos de tortura e opressão... A viola que divulga ideias para os revolucionários... A roseira da teoria, e a rosa colhida pela prática... O exercício contra a opressão, três formas simbólicas, que veem de uma ilusão passageira de que tudo poderá mudar, e que de tão leve, a brisa levou... No peito a saudade cativa o desejo de mudança, e faz força pro tempo parar (com torturas, com manchetes, com alienação), mas eis que chega a roda-viva e muda tudo novamente, levando a saudade pra lá, e deixando o conformismo para uma sociedade brasileira na Ditadura Militar.
Roda Viva foi escrita por Chico Buarque para a apresentação da peça "Roda Viva", que após as primeiras apresentações, causou-se polêmica e após feridos, bang-bang e polêmicas, teve a letra sob o carimbo vermelho de CENSURADO.