"...Quando o que temos é um Catálogo de Erros... Esse é o Livro das flores. Esse é o Livro do Destino. Esse é o Livro de nossos dias..." - Que se abram as cortinas, que se virem as páginas: Sejam todos bem vindos!
Confesso que um tanto abalou nos últimos dias a notícia de morte de um verdadeiro poeta.
O que importa, e o que desagrada, é que somente em momentos como esse, a banda fará sucesso e conseguirá acessos e vendagens. As tragédias se tornam populares (o vulgo papa é pop).
Chorão, que do outro plano saiba que deixou fãs e admiradores. Dedico a atual postagem como forma de prestígio desse cantor e em especial para os fãs que visitam a página! Chorão, "você deixou (e deixará) saudade".
"Lutar pelo que é meu" é o melhor modo de definir o cara que começou com o sonho de uma banda quando ainda era muito jovem, que ajudou a mãe à vender pastéis e que fazia algo aqui, ora ali, que viu o pai morrer - quando já mais velho - e também se separar da mãe, que por um derrame, quase morreu.
Chorão começa num ritmo compassado dizendo que a gente só passa a entender melhor a vida, quando encontra um verdadeiro amor, e que cada caminho que escolhemos, é porque aquilo no momento é importante e do nosso real desejo, e que o outro lado, se torna uma renúncia. E lidar com isso é duro. Devemos saber aceitar que cada escolha, gera uma renúncia, e lutar para se recompor em cada decepção nos caminhos - que são apenas gerados pelo nosso livre-arbítrio.
Chorão se refere então à sua terceira-pessoa, seja qual for seu caminho, jamais será escuro, porque ele acredita no que faz, e sabe que sempre estará certo (e lutará para estar), e que de qualquer jeito (à terceira pessoa), "o seu sorriso será o seu raio de sol"; sempre iluminará o seu caminho, sempre trará vida às suas escolhas.
"O melhor presente Deus me deu, a vida me ensinou a lutar pelo que é meu". O maior presente que Deus nos dá é o livre arbítrio. O direito de escolha, o direito de pensar em qual caminho seguir, em quê crer ou não crer, sentir ou querer, e o melhor disso tudo, é ter sua vida e fazer suas escolhas. Ou acomodar-se, ou lutar para uma vida melhor, e o melhor presente que Deus o deu, foi poder crer que fez as escolhas certas e lutar pelo que julga ser dele. Batalhar em sua, para sua, vida.
Chorão se veste da simplicidade das palavras e dos termos diretos conseguindo manter o porte romântico. Deseja beijar a boca de sua companheira até ela "sentir vontade de tirar a roupa", pede para poder acompanhar o instinto de liberdade jovial, e pede para ela deixar ele mostrar que a vida "pode ser melhor mesmo sendo tão louca".
Realmente Chorão, você estava certo, só os loucos sabem esse instinto de liberdade e de conhecimento, de que a vida pode ser melhor mesmo sendo tão louca. Chorão deixou saudades e palavras compreendidas, cantadas e ouvidas por quase todos, que em uma geração tão perdida de carência musical, perdeu mais uma estrela. A sociedade nos mata, e você morre deixando palavras completas para um sistema vazio.
Eduardo Rezende, análise e interpretação
quinta-feira, 14 de março de 2013
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