Ao lado de três grandes artistas (Martin Mendonça, Duda Machado e Joe), Priscilla Novaes Leone - Pitty Leone - conseguiu dar novas vertentes à nova geração do Rock Nacional.
Pitty, com um jeito próprio de uma velha novata, surpreende em todos os seus novos discos e shows.
Com a banda que começou em 2003, a banda já contou com inúmeros shows, incontáveis prêmios e participações. A banda tem grandes músicas, as críticas - minhas preferidas e as que gosto - são recheadas de realidades atuais e com inúmeros pontos interessantes de se analisar. É talento nos instrumentos, na voz e na mente. Dá-lhe tantos talentos que a banda sempre se supera...



Num sonzinho que começa vazio e desconexo, até a alta súplica das guitarras junto à bateria, começa uma voz. Uma voz aveludada, que canta como se não quisesse ser ouvida...
"Brinquedo Torto", da banda Pitty, é uma letra muito crítica e muito forte, quando desprovida de seus simbolismos e analisada profundamente. É a dominação e o dominado, é a prostituição e o jogo dos corpos... É o ato sexual com meninas que são apenas, um brinquedo jogado, esquecido e abandonado, num mundo frio, negro e torto.
Um narrador na primeira pessoa. A cantora se torna prostituta.
Nas ruas, a personagem encontra-se como um pino. Um peão num tabuleiro, vestido de dama, defendendo-se com a crença de um bispo, com as armas de um cavalo e com a força de uma torre. A personagem esquece-se das regras do jogo, do jogo social, do jogo da vida, e sente que não pode mais jogar. Sente-se descartada, porque veio escrito na embalagem, "use e saia pra agitar" (uma alusão aos preservativos, talvez? Ou apenas dizendo que na embalagem do seu jogo, veio escrito que ela é só mais um objeto, usado justamente para se descarar após prazeres?). "Vou com os outros pro abate, o meu dono vai lucrar", ou o mesmo que "sou um animal", "irei para a morte" e assim, "meu patrão irá lucrar" (sou apenas um objeto sem objetivo algum, usado pra ser usado e mandado por alguém mais forte - na língua das prostituição, os cafetões e cafetinas), seja cedo, ou seja tarde, quando essa realidade vai mudar? Quando este peão realmente irá cair? Quando terá a chance de dar seu xeque-mate, encurralando os reis das ruas e prostituições, os donos de seu corpo?
Dizer "eu te disse", não muda em nada! Se o corpo se transfigura ("se eu explodo meu violão"), não há nada pra se fazer, abortos? Drogas? Não importa! A carne foi feita pra ser carnal. E apesar da realidade de ser dura ("isso é tão desconfortável"), ensinaram-a a fugir desta realidade, e e ela for derrotada (se o peão realmente cair), não se há como defender...
... Ela já se entregou. Ela se vende como um brinquedo torto, como um objeto quebrado, como uma peça em importância. Ela se vende como uma estátua, sem sentimentos e sem noções. Ela se vê como um brinquedo torto, apenas mais um, em meio à tantos lixos. Ela e vê como uma estátua, apena a mudez à consome além dos vícios.

Análise e texto: Eduardo Rezende